As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Adeus a Gradisca

Luiz Carlos Merten

24 de junho de 2015 | 01h02

Enterrei ontem Laura Antonelli e hoje, Magali Noël. A Gradisca de Federico Fellini! Magali foi uma atriz e cantora francesa que fez filmes com Jules Dassin (Rififi), René Clair (As Grandes Manobras) e Jean Renoir (Elena et les Hommes/As Estranhas Coisas de Paris). Em 1956, Magali protagonizou um escândalo gravando a canção Fais-moi Mal, Johnny. Com letra de Boris Vian, o rock sadomasoquista foi considerado ousado demais e proibido pela censura (na França!). Em 1960, com Anouk Aimée, Yvonne Fourneaux e Alain Cuny, todos franceses, ela integrou o elenco de A Doce Vida. Incorporada por Federico Fellini a seu elenco, voltou a filmar com ele Satyricon e Amarcord. Seu grande papel foi como a Gradisca. Você se lembra da cena. Magali fuma voluptuosamente um cigarro no cinema. E é pensando nela que os garotos se masturbam na cena do carro, hilariante. Magali Noël morreu aos 83 anos – faria 84 no próximo sábado. A idade é controversa. Algumas fontes citam 81 anos; outras, 82. Nasceu em Esmirna, na Turquia – Magali Noelle – de pais franceses. Por volta de 1960, era um dos mitos sexuais que inflamavam o imaginário dos franceses. “Não havia senão Girardot, Bardot, Moreau e mamãe”, disse sua filha, Stéfanie Vial-Noël. “Por sua exuberância, as pessoas a confundiam com Sophia Loren.” Magali também integra o elenco de Z, de Costas-Gavras, cuja versão restaurada foi exibida em Cannes, neste ano.