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A vida secreta das palavras. E olhem aqui onde estou!

Luiz Carlos Merten

30 de agosto de 2015 | 10h52

NOVA YORK – Aqui estou, desde sexta-feira. Cheguei pela manhã e, à noite, já fui ver The Intern, o longa (comédia) de Nancy Meyers com Robert De Niro e Anne Hathaway. Fiz as entrevistas ontem e hoje à noite regresso ao Brasil. Não sou louco de achar Nancy Meyers uma grande diretora, mas, além de o filme ser divertido (e humano), sobre um coroa de 70 anos e tantos anos que vai trabalhar como estagiário de uma jovem empresária – e, claro, termina influenciando a vida dela e a da empresas -, achei a própria Nancy, que não conhecia, uma figura das mais interessantes (e sensatas). De Niro foi ótimo. Não sei por quê, mas sempre achei que ele, despido da máscara dos personagens, seria arrogante e difícil no trato com a imprensa. Que nada! Está em boa forma, e dá duas batidinhas na matéria cada vez que cita o fato, curtindo o trabalho e a vida. Anne Hathaway eu já havia entrevistado duas vezes. É outra que me parece centrada, nem um pouco ‘estrela’. É só o que posso dizer, pois há um embargo até estreia norte-americana do filme, que será dia 25 (no Brasil, acho que entra antes, dia 24). Cheguei aqui disposto a ver teatro – uma nova peça de David Mamet com Al Pacino; e James Earl Jones e Cicely Tyson também estão de volta ao palco. Quer dizer – estarão. Todo mundo estreia em duas, três semanas e até Juliette Binoche estará em Nova York com uma tragédia grega. Só me restou o cinema. Não me perguntem por quê, já que, em geral, não gosto muito dos filmes delas, mas fui ver Learning to Drive, Aprendendo a Dirigir, de Isabel Coixet, com Ben Kingsley e Patrícia Clarkson. Para minha surpresa, gostei – mais um filme sobre a vida secreta das palavras, mas o que me encantou foi o olhar diferenciado sobre Nova York, que é onde se passa a história do motorista paquistanês que dá aulas de direção a uma mulher madura que acaba de ser abandonada pelo marido. A maioria dos filmes que estão aqui estão, estão aí também. Missão Impossível – Nação Secreta, Hitman – Agente 47, Ted 2, Ant-Man, Quarteto Fantástico etc. Resolvi ver a nova comédia de Judd Apatow, Trainwreck, sobre uma mulher liberada que tromba com um doutor que conhece num bar e vai com ele para a cama. Amy Schumer virou a nova queridinha da crítica. Está todo mundo falando bem dela, e com razão. É ótima. Amy deve ter visto Diálogos da Vagina, porque ela não só fala o tempo todo da sua como a torna muito atuante. Bill Hader ‘guenta’ o tranco, como se diz, mas seu sexo é meio mecânico, o que não o impede, no dia seguinte, e para surpresa da própria Amy, de chamá-la para sair. Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, e John e Mary, de Peter Yates, para os anos 2010. Judd Apatow prossegue com sua abordagem franca e direta das novas políticas de sexo. E, no fundo, a muito ‘dada’ Amy é solitária como o Steve Carrell de O Virgem de 40 Anos. Gostei. Meu voo é à noite. Tenho tempo para mais dois filmes, pelo menos. Amanhã, no Brasil, eu conto o que vi.