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A Tartaruga de Darwin!

Luiz Carlos Merten

03 Dezembro 2017 | 09h54

Até gostei de Maria Fernanda Cândido como a mãe da trans Ivana na novela A Força do Querer, nas vezes em que assisti à novela de Glória Perez, primeiro para fazer matérias e depois porque fui me interessando por algumas personagens e queria ver como aquilo ia acabar. Mas minha amiga Tuna Dwek, dublê de atriz e crítica de cinema, com seu temperamento trágico, não teve a mínima dificuldade para ‘engolir’ Maria Fernanda em Troilo e Créssida, a montagem de Jô Soares para o texto de Shakespeare. Naturalmente que sendo Jô, na origem, humorista, seu público queria era rir. Eu confesso que não ri tanto quanto gostaria, exceto em partes pontuais de Troilo e Créssida, por algumas participações ridículas que prefiro não nominar para não ofender. Mas, enfim, Tuna salvava-se. Fui ver ontem com o Dib A Tartaruga de Darwin, texto de Juan Mayorga sobre uma tartaruga que se transforma na própria representação da teoria da evolução. Ela evolui e vira gente, testemunha de 200 anos de história e, como tal, irrompe na vida de um professor e sua mulher, indo parar no hospital, o que acrescenta um quarto personagem, o médico. O texto é mordaz, cheio de observações ferinas sobre nossa pobre humanidade, e Tuna é muito engraçada – o registro agora é cômico, e ela segue boa -, mas dessa vez não está sozinha, roubando a cena e salvando o espetáculo como no Jô. Os quatro atores são bons, num registro que não é naturalista – vira um musical! -, mas o que vou dizer agora talvez seja uma contradição, em termos. A diretora Mika Lins, que também é atriz, entrega a chave ao quarteto, é sua concepção de mise-en-scène, mas do lado de cá eu não conseguia parar de pensar no que um diretor, ou diretora, de verdade poderia fazer com a fábula. Quando é que ela vai começar a dirigir? Uma ideia, por favor… As intervenções de Tuna, o musical, tudo já era ideia, direção, admito, mas achei meio pobre para um texto que poderia ser mais demolidor. Gostei médio, do elenco gostei mais. E já que digo isso, deixem-me citar os atores. Fui conferir no programa – Ana Cecília Costa, Marcos Suchara, Diego Machado e a Tuna. Ela acaba de filmar, acho que já terminou, o novo Gabriel Mascaro, e sendo dele o filme, já gostei. Mascaro é bom, não, é ótimo. E a Tuna integra o elenco do Marighella que Wagner Moura está começando, ou já começou a filmar. Li a entrevista feita pelo André Miranda na capa do Segundo Caderno do Globo. Acho um ato de coragem do Wagner fazer um filme sobre Marighella, nesse momento de retrocesso da história do País. Adoraria tê-lo entrevistado, mas ele não fala mais comigo. Nem por isso deixo de torcer, e espero ver o Mariglella, com seu Jorge – e a Tuna Dwek.