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A paisagem como personagem

Luiz Carlos Merten

09 Fevereiro 2013 | 12h09

BERLIM – E, de repente, dois filmes de paisagem mudaram a geografia da Berlinale. Jah estou acostumado a ver esse festival comecar morno, ateh ruim, e ai ocorre um clique. Mesmo quando se equivoca, a selecao de Berlim eh uma das mais acuradas. Os filmes dialogam entre eles, estao aqui com um proposito. O russo Khlebnikov explicou na coletiva como quis transpor uma historia de western para a Russia contemporanea, com seus conflitos sociais. E fez a A Long and Happy Life, que se passa numa cidade de madeira que parece ter sobrado de um antigo kolkoz, junto a um rio cujas aguas estao ali em movimento, como a vida. Eh um cenario majestoso. O alemao Thomas Arslan toma o rumo do Oeste e situa Gold no Klondike, na regiao do Yukon, em 1898. Voce conhece todos esses nomes da literatura de um certo Jack London. Um grupo de alemaes parte em busca de ouro. A desintegracao vem menos pela ambicao, embora ela jogue seu papel, que pela forca da natureza, tao bela quanto selvagem. Acontece um monte de coisas em Gold, todo tipo de infortunio e azar. Mas o diretor nao se apressa. Toma seu tempo e nos leva a compartilhar o que a jornada tem de horrivel. A solidao na natureza eh aterradora. O grupo, cada vez mais reduzido, cruza com verdadeiros fantasmas – um negro que serviu no Exercito ianque e, sem lugar no novo mundo pos-escravidao, parece um zumbi. um pai de familia, imigrante como os que integram o grupo, que se enforca e deixa uma carta com pedido de perdao aa familia. Eh tudo doloroso. Nina Hoss, a atriz de Barbara, tem outro grande papel. Faz uma tough lady, mas compassiva. Agora, sim, e para mim, pelo menos, o festival comecou. Interrompo porque estou indo correndo tentar ver a primeira sessao, de publico, de Flores Raras, de Bruno Barreto.