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A Mostra, chegando

Luiz Carlos Merten

04 de outubro de 2019 | 21h21

Meu editor, Ubiratan Brasil, conversou com Rodrigo Teixeira para ouvir do produtor de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão como está sendo a campanha para o longa de Karim Aïnouz no Oscar. Rodrigo disse uma coisa interessante – que o mundo todo concorre a três vagas para melhor filme estrangeiro em 2020, porque duas já estão destinadas. Para Pedro Almodóvar, por Dor e Glória, e Bong Joon-ho, por seu longa vencedor da Palma de Ouro, Parasita. Neste sábado, 5 – amanhã -, espero finalmente ver o sul-coreano, que será o filme apresentado na coletiva da Mostra. Rodrigo Teixeira abrirá o evento deste ano com Os Últimos Soldados da Guerra Fria, que produziu, com base no livro de Fernando Morais. O filme dirigido pelo francês Olivier Assayas não teve a melhor das recepções no recente Festival de Veneza, mas nem por isso estou menos ansioso para ver como ficou na tela a história real dos anos 1990, quando cubanos fingiram desertar para criar, na Flórida, grupos de espionagem infiltrados em organizações terroristas anticastristas. Devem vir a São Paulo, para a abertura da Mostra, o diretor e seus atores – Edgar Ramírez, Wagner Moura e Gael García Bernal. Não sei se Leonardo Sbaraglia virá também. A Mostra promete uma retrospectiva de Assayas que vai apresentar filmes essenciais do começo de sua carreira, em especial Irma Vep, Demonlover e Clean, pelo qual sua ex-mulher, Maggie Cheung, foi melhor atriz em Cannes. De tudo o que já sei da Mostra, nada me entusiasma mais que saber que o israelense Amos Gitai e o palestino Elia Suleiman estarão aqui com seus novos filmes. Gitai vai comemorar os 20 anos de Kadosh e lançar livro que terá direito a leitura dramática. Suleiman vem com It Must Be Heaven. Apesar do apoio irrestrito de Jair Bolsonaro a Benjamin ‘Bibi’ Netanayahu, o premier não está conseguindo formar novo governo de coalizão e talvez tenha de convocar novas eleições, as terceiras este ano. Gitai e Suleiman são amigos e a prova, sim, de que uma solução negociada é possível no Oriente Médio, o problema é esse radicalismo de direita que lá, como cá, Netanayahu e Bolsonaro representam. A Mostra, com seu compromisso humanista, apoia o diálogo que, com certeza, eles terão nessa 43ª edição, que comerça dia 17.

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