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A morte do `mago`

Luiz Carlos Merten

19 de novembro de 2013 | 15h32

LOS ANGELES – Ontem o LA Times colocou na capa a morte de Doris Lessing. Hoje, e com o mesmo destaque, noticiou a morte de Syd Field, chamado de `wizard`, mago dos roteiristas. No Brasil, sempre houve um movimento de `autores` para ridicularizar o Field, porque sua concepcao de roteiro, baseada na estrutura em tres atos, priovilegia a narracao de historias. Muitos desses autores ateh podiam querer contar historias, mas naoh no sentido tradicional, hollywoodiano. Ateh entendo, mas, na capa do LA Times Judd Apatow e Alfonso Cuaron, entre outros diretores que admiro, assumem sua divida com Syd Field. Nao sabia muita coisa sobre ele, digo, o homem, e o que descobri me fez ver que talvez fosse mais interessante do que pensava. Muito jovem, Field perdeu a maeh e saiu numa viagem sem rumo pela Rota 66. Durante dois anos vadiou, conhecendo o mundo, o que eh sempre bom para quem vai escrever. Um dia, cansou, voltou a Los Angeles – nasceu em Hollywood – e entrou para a Berkeley, onde virou discipulo, e isso nao sabia, de ninguem menos do que Jean Renoir. O grande diretor frances foi seu mentor, fez dele ator (no teatro) e lhe ensinou tudo sobre como contar visualmente uma historia. A partir daih, Syd Field desenvolveu as proprias ideias e encontrou o fundamento delas, o conceito aristotelico do comeco, meio e fim na arte da narracao. Durante dois anos, como consultor de roteiros para estudios, Syd Field leu cerca de 2 mil scripts no comeco dos anos 1970 e rejeitou 1960. Mas ele se orgulhava de que os 40 que selecionou foram feitos e muitos viraram classicos da epoca. Syd Field esteve muitas vezes no Brasil. Uma vez me ofereceram entrevista com ele e naoh fiz, naoh sei se influenciado pelos preconceitos de diretores que se ajudariam (muito!) se assumissem pelo menos parte das ideias do `mago`. Tergiverso. Daqui a pouco rumo para o aeroporto, para iniciar o caminho de volta. Antes, quero deixar registrado que vi ontem About Time e adorei a comedia de Richard Curtis com Rachel McAdams. Espero que a Universal a lance no Brasil. De volta a casa (amanhah chego aih, via Cidade do Mexico), retomo o assunto.

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