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A hora da ruptura em Dragão 3, beleza!

Luiz Carlos Merten

20 de janeiro de 2019 | 22h36

No ano passado, em plena crise, tentei fazer análise. Por meio de indicações, fui parar no consultório de um lacaniano. Não deu liga. Parei rapidinho. Ele queria ir por um caminho que achava que era o melhor para mim, mas não era o que me interessava. Eu queria o A, ele insistia no B. Bá-ai. Prefiro os escritos de cinema de Lacan a seu método de terapia. Não sei se não deveria ter insistido, buscando outro terapeuta. Às vezes, ao longo do ano, sentia-me à deriva, e temia que isso se refletisse no meu pensamento crítico. Felizmente, sinto que está passando. Me pego cantando, e tantas águas rolaram… Mas eu ainda tenho reações que me surpreendem. Fui hoje ver Como Treinar Seu Dragão 3. Havia entrevistado o diretor Dean Deblois na CCXP. Cara interessante, gay assumido, ele se diverte ao contar que, na indústria, todo mundo achava que o homossexual fosse seu partner no primeiro filme, Chris Sanders, que é straight. O motivo – Dean parece um redneck. Um urso? Chorei copiosamente vendo o Dragão 3. O filme é sobre o momento da separação, quando Soluço e Banguela precisam seguir cada um seu caminho. Soluço precisa assumir sua ligação com Astrid e deixar que Banguela viva a vida dele com Fúria da Luz, que não é a vilã que parece. Puta filme bonito. O cara gay faz filmes sobre pares heteros, e homens sensíveis. E, quando Soluço e Astrid fazem a travessia da cachoeira e chegam ao mundo escondido, o visual é de outro planeta. O fundo do mar de Aquaman, o outro lado de Wifi Ralph e Dragão 3 – nesse mundo de ferramentas digitais não existe limite para a imaginação. A m… é que o trabalho da gente está ficando cada vez mais capenga. A indústria cultural não está interessada em reflexão, mas na divulgação de suas atrações. Teria sido outra coisa conversar com M. Night Shyamalan e Dean Deblois depois de haver assistido a Vidro e Dragão 3, e não apenas ter visto trechos que não dão ideia da integralidade dessas obras.

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