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A guerra, o trigo, o aço (e as joias da coroa do rei Vidor)

Luiz Carlos Merten

12 de março de 2020 | 21h13

A gente só se arrepende do que não faz. Eu, por exemplo, me arrependo do que não fiz nos últimos 25 anos, um terço da minha vida. Teria me divertido muito mais – será? Esse início ‘weird’ é para dizer que fui à Berlinale, em fevereiro, disposto a ver o máximo de filmes da retrospectiva de King Vidor que pudesse. O problema é que, com a competição e mais 18 filmes brasileiros espalhados pelas demais seções, vi-me obrigado a correr de um lado para outro. Vi muito menos filmes do rei Vidor que gostaria, embora tenha visto, e revisto, alguns. Em Paris, a caminho do Brasil, comprei dois livros sobre o grande cineasta. O King Vidor de Jean-Loup Bourget e Françoise Zamour, da Librairie Filosophique, e o King Vidor da Coleção CinémAction, Editions Charles Corlet – L’Odyssée des Inconnus. Os três grandes temas de Vidor – guerra (A Grande Parada), o trigo (O Pão Nosso de Cada Dia), o aço (American Romance). Os retratos de mulheres, a sensualidade. Vivendo e aprendendo. É tão óbvio que nunca pensei nas duas personagens de Jennifer Jones – em Duelo ao Sol e A Fúria do Desejo – como as joias da coroa do rei. Pearl/Pérola e Ruby/Rubí. Assisti a Hallelujah, Mãe Redentora, A Cidadela, Duelo ao Sol, A Fúria do Desejo. Queria muito ter visto, mas não deu – Billy the Kid, A Noite Nupcial, Bandeirantes do Norte, A Filha de Satanás, Vontade Indômita. Carlos Heli, que enfrentou as 3h30 de Guerra e Paz, impressionou-se – numa época em que não havia efeitos digitais para multiplicar multidões, Vidor filmava batalhas, e pelotões de soldados, a perder de vista. Quem dera o revival de King Vidor chegasse aos cinemas brasileiros.

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