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A Força do Querer!

Luiz Carlos Merten

04 Abril 2017 | 09h18

Não interessa muito explicar, mas ia ontem ao cinema, à noite, comecei a tossir, tive tremor de frio, recolhi-me. Liguei a TV, o que raramente tenho feito. Começava a nova novela das 9, A Força do Querer, de Glória Perez. Danada! Vi um pouco de Velho Chico, até por dever de ofício, pelas matérias que fiz com Luiz Fernando Carvalho e seu admirável elenco. Vi meio capítulo de A Lei do Amor, e bastou. Não posso falar sobre o texto de Maria Adelaide Amaral, mas a vilã de Vera Holtz me derrubou na hora. Supostamente rica, se entendi, mas estilo caminhoneira, Jesus! E aí veio A Força do Querer. Imediatamente pintou alguma coisa interessante na telinha. À tarde, havia visitado o set de Monique Gardenberg, Paraíso Perdido, uma cena com Seu Jorge. Ele diante do espelho, ajeitando o volume – aquele! – e recitando o texto de abertura de A Ópera do Malandro, de Chico Buarque. Um filme inspirado na música brega, mas vitaminado na mitologia grega. Seu Jorge faz o mítico Hermes, mensageiro dos deuses e ligação entre os vários núcleos dramáticos do roteiro. O Baixo Augusta. Monique me disse algo que reverberou – a dramaturgia de TV já dá conta da classe média alta e da burguesia e, por isso, ela tomou outro rumo. De cara, A Força do Querer já estabeleceu dois núcleos, os ricos e os pobres, sempre mais fortes e atraentes em Glória Perez. Ecos de Velho Chico. Os garotos afogam-se no rio, são resgatados pelo xamã. O rio uniu vocês, vai separar de novo, ele diz. Os meninos crescem (rapidamente). Marco Pigossi representa o núcleo popular, a população ribeirinha, a parte mais vibrante e colorida do capítulo. Fiuk pertence à parte rica da trama. Das águas emerge Ísis Valverde, eterna sereia. Já se desenhou o conflito, um dos, pelo menos. Diante do espelho – também ela, como Seu Jorge -, Maria Fernanda Cândido admira a própria beleza, como Narciso. Mulher fútil, como sempre tem de ter nas novelas. Impõe à filha um modelo de beleza e feminilidade que não interessa à garota. Vi em alguma parte uma chamada de que na novela haveria uma transgênero. Chegou! E o marido, amado amante, de Juliana Paes pode se preparar. Ela vai retomar o curso de direito e me arrisco a dizer que vai se envolver com Dan Stulbach, que já anunciou a Maria Fernanda que vai largar ‘as empresas’ para também voltar à advocacia, que é sua vocação, sua paixão. Ou então é o Rodrigo Lombardi que vai voltar, não importa como. Ísis, Pigossi e Fiuk são aquela coisa escandalosa de tanta beleza. Juliana Paes é a mulher madura na sua exuberância. Amo essa mulher desde que a vi no filme de Marcelo Galvão, A Despedida. Preciso arranjar correndo uma pauta para essa noite, senão… A Glória me pega!