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A festa vai (re)começar

Luiz Carlos Merten

16 de abril de 2015 | 09h46

Estou aqui em casa, indeciso entre ir ver a cabine de Os Vingadores – A Era de Ultron ou esperar pelo anúncio dos filmes que vão compor a seleção oficial de Cannes neste ano. Teremos filmes brasileiros – Quase Memória, de Ruy Guerra? Enquanto espero navego, o que não é muito do meu feitio, no site do festival e revejo momentos ‘de légende’, como dizem os franceses. A montée des marches, a premiação do ano passado, as lágrimas de Gong Li, que, com Sharon Stone, é rainha daquele tepete vermelho. Quando fui tomar café – na padaria, como sempre -vi imagens do último desfile de Gisele Bündchen. Aquela mulher não existe. A maneira como pisa, parecendo flutuar, o feito de esparramar o corpo, de fazer pequenos movimentos com a cabeça para manter a cabeleira esvoaçante… Tive o privilégio de entrevistar Gisele, certa vez, por aquela comédia horrorosa que ela fez, sobre o táxi. Lembro-me que as concorrência mandou um repórter com a incumbência de tirá-la do sério, de arrancar alguma coisa polêmica. Eram dez ou 15 minutos, nem lembro, e ele conseguiu, nem lembro mais o que disse.  Na sequência, entrei eu, gaúcho como ela, e meio que brinquei. ‘O que tu disse, guria, pra ele sair feliz daquele jeito?’, perguntei. E ela, retribuindo o meu gauchês, “Ah, sei lá, tô c…’ Gisele era rainha na passarela. Ali, naquele momento, foi gente como a gente. Ultrapassei meus 15 minutos da fama dela, porque conversamos sobre ‘Leo’ – era a fase Leonardo DiCaprio dele, ele havia feito O Aviador, com Martin Scorsese, e Gisele ficou me falando maravilhas do filme, do qual terminei não gostando. Os Insaciáveis, de Edward Dmytryk, era muito melhor. Nunca vi Gisele Bündchen no seu território, a passarela, mas vi muitos filmes, clipes etc. Ela abandona a passarela, mas não o mundo da moda. E promete fazer desfiles ocasionais, beneficentes. O que me faz lembrar de Sílvio Caldas e Pelé. Sílvio Caldas, o seresteiro do Brasil, deve ter passado anos se despedindo quando eu era garoto. Era uma época de muitos programas musicais na TV e a toda hora vinha o velho Sílvio cantando ‘pela última vez’. Pelé foi outro. Tudo isso foi parte da minha juventude. E, há pouco, vi as imagens de Gisele, as de Cannes. Tudo se mistura no meu imaginário. Cannes! A miríade dos festivais. A festa vai (re)começar.

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