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A deterioração dos afetos no novo Cemitério Maldito

Luiz Carlos Merten

12 de abril de 2019 | 09h52

Quando esteve em São Paulo para a CCXP, em dezembro – veio apresentar Bumblebee -, o produtor Lorenzo Di Bonaventura deu uma palinha falando do novo Cemitério Maldito, que ainda não estava pronto. Disse que era mais forte que o original de Mary Lambert (e até que o livro de Stephen King), com foco na família. Cemitério já estreou nos EUA – no Brasil só em 9 de maio -, vai bem de público. Ontem, após a exibição do footage de Rocketman, trocamos – um grupo de jornalistas – de sala e fomos à apresentação do filme numa sessão fechada para exibidores. Não sou fã de carteirinha de Elton John e, com exceção da trilha de Rei Leão, não seria capaz de identificar muita coisa que ele compõe, e canta. Mas gostei do supertrailer, do Taron Egerton. Estava levitando – como o público de EJ na cena do Trobadour. Deveria ter ido embora, mas ouvi o chamado da sereia e entrei no Cemitério. M…! Fiquei perturbado – é impressionante como os filmes ainda mexem comigo; sou tudo, menos blasé – e perdi meu norte. Saí tão zoado que deixei na sala do Shopping Iguatemi meu boné preferido. Kevin Kolsch e Dennis Widmyr dirigem o remake, ou será reboot? Jason Clarke faz o pai que tenta poupar a filha do sofrimento e enterra o gato dela, que morreu, naquele cemitério indígena. John Lithgow o induz. A terra é podre, mas energiza os cadáveres, que voltam à vida. O problema é que voltam possuídos por uma força maligna. Cemitério para o público pós-Walking Dead. O gato volta endemoniado, a filhinha morre, papai também a enterra e ela volta sinistra. Vai todo mundo morrendo e ficando do mal. No final, sobra… Olha o spoiler. Cemitério Maldito tem momentos assustadores, desagradáveis. Tem o gato Church, um horror, mas nada se compara, para mim, ao olho da garota, quando ela volta, consciente de que está morta. A duplinha (de diretores) não é mole. Seu filme é sobre a deterioração do afeto, que pode virar outra coisa. Era tudo que não queria ter visto, mas acho que vai faturar. E, no limite, Cemitério Maldito dá cara a essa nova (?) barbárie que nos assola.