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A cortesã moderna teve nome: Zsa Zsa

Luiz Carlos Merten

19 Dezembro 2016 | 12h03

Faço hoje uma colonoscopia, no fim da tarde. Ninguém merece. Na minha idade, o procedimento tem de ser hospitalar. Entrei pela madrugada tomando laxantes. Estou me sentindo fraco, o fim do ano é sempre uma época propicia às avaliações e eu confesso que, nisso tudo, a morte e o velório do Andrea Tonacci também contribuíram para me fragilizar. Estou me sentindo péssimo, a toda hora correndo no banheiro. Vai passar, eu sei, mas o agora está sendo ‘brabo’, como se diz no Sul. Ontem, já estava sob o efeito da dieta, morrendo de fome!, quando fui ao jornal fazer a capa de hoje do Paulo Gustavo, que estreia na quinta – em mil salas! – Minha Mãe É Uma Peça 2. À noite, Adriana Delre me localizou para pedir um texto sobre Zsa Zsa Gabor, que havia morrido, aos 99 anos. Zsa Zsa! Embora tenha uma extensa filmografia, Zsa Zsa Gabor entrou para a história como precursora do conceito de ‘celebridade’, que nem havia. Muito antes das redes sociais que deram notoriedade aos Kardashian – e a Kim -, Zsa Zsa já era notícia simplesmente por ser notícia. Casou-se nove vezes, quase sempre com milionários, e amealhou fortuna com a beleza que lhe deu o DNA familiar (e que a levou, no começo de tudo, a ser miss na Hungria). Procure uma galeria de fotos e você vai vê-la, linda, sempre coberta de peles e diamantes. E Zsa Zsa foi amiga de John Huston, de Orson Welles. Chegou a filmar com os dois. Moulin Rouge, A Marca da Maldade. Um de seus maridos foi George Sanders, o mordaz Addison DeWitt de A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz. Se suas falas não tivessem sido escritas pelo grande Joe, o cineasta da palavra, poderiam ter sido escritas pela mulher. Como socialite, Zsa Zsa levava muito a sério essa coisa de ser entertainer. Ou vocês acham que Aristoteles Onassis frequentava o jet set para discutir suas ações na Bolsa? Zsa Zsa levou a vida na farra, pelo menos enquanto estava sob os holofotes, e o problema é que ela estava sempre sob os holofotes. Teve problemas com a Justiça, e chegou a ser presa por desacato, bater em policiais, essas coisas, o que deu origem ao documentário O Povo contra Zsa Zsa Gabor. Outro documentário – The Gabors: Fame, Fortune and Romance – dá conta do estilo ruidoso que compartilhava com as irmãs Magda e Eva, todas modernas cortesãs. Era uma louca que levava sua persona tão a sério que, em 2011, teve uma gangrena. Os médicos decidiram amputar sua perna. Ela não objetou – mas só depois das ‘festas’, Natal e Ano Novo. Zsa Zsa era produto de outro tempo, outra mentalidade. E, pode ser preconceito, era mais divertida – e inteligente – que muita celebridade atual, para não dizer todas.