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A Colônia

Luiz Carlos Merten

29 Maio 2018 | 22h43

Dib Carneiro Neto criou, e espero que mantenha – ele é uma referência quando o assunto é teatro no Brasil, não apenas infantil -, a série que intitulou O Crítico de Cinema Vai ao Teatro. No domingo, tentei chamar a atenção para uma montagem que se despedia no Sesc Pompéia. O próprio diretor Roberto Alvim me disse que a sua Fedra deve voltar em breve no Clube Noir. Fiquem atentos, não percam. Estou vindo agora do Sesc Consolação, onde assisti a Colônia. Ubiratan Brasil me disse que nosso povo de teatro no Caderno 2, o Leandro, a Maria Eugênia, encantou-se (encantaram-se) com o espetáculo. Sorry, mas não compartilhei o entusiasmo. Não gostei do tom monocórdico e professoral com que o diretor Vinicius Arneiro e o ator Renato Livera destrincham o texto – a dramaturgia – de Gustavo Colombini. Mas o texto é instigante. Começa investigando o conceito de colônia – de insetos, a sua função social, a colônia como situação de dependência e fornecimento de recursos baratos, etc. Analisando o papel repressor do Estado chega, muito superficialmente, ao que esperava que fosse o tema. O bárbaro Hospital Colônia de Barbacena, onde se perpetou o que Daniela Arbex, em seu livro e filme, chamou de Holocausto brasileiro. Vida, genocídio e 60 mil mortes no maior hospício do Brasil. Sempre tentei convencer o Dib a contar uma daquelas milhares de histórias, a que mais me impressionava (e Daniela não colocou em seu filme). Ele invocava direitos. Dizia que seria incomodação séria. Talvez fosse, mas valeria a pena. No final, A Colônia, que me decepcionou, me fez chegar em casa e procurar feito um louco o livro da Daniela. Cá estou com ele. São histórias terríveis. O que o homem, lobo do homem, e o Estado podem fazer das pessoas supera até o inominável. Sinto-me devastado nesse fim de noite.