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A caminho do Oscar

Luiz Carlos Merten

28 de agosto de 2019 | 09h59

Tive ontem um dia muito intenso. O Oscar pela manhã, o novo fechamento do Caderno, às 5 da tarde. Quando vi, já era noite, fui ao teatro – Dolores, no Instituto Cultural Capobianco. Jantamos, Orlando Margarido e eu, cheguei em casa passado da meia-noite, cá estou esperando o físio e com a perspectiva de outro dia corrida. Filme, entrevista, as matérias de Bacurau no Caderno e, agora, enquanto não me adaptar ao novo horário, o estresse do fechamento. Faz parte. Ando mal, de cabeça. Gramado, de alguma forma, foi a gota d’água. A convivência com os coleguinhas nem sempre foi harmônica e havia uma tensão no ar, que explodiu quando uma manifestação na Rua Coberta – o tapete vermelho que leva ao palácio dos festivais – terminou em agressão. Os bolsominions, reunidos nos bares e restaurantes das laterais, jogavam pedras de gelo e restos de comida no povo, no tapete. Havia, pelo que me contaram, um cineasta com uma criança no colo. F…-se a criança, jogaram toda a merda nela. Covardes! O Brasil segue polarizado, rachado. Triste país. Senti essa tensão na mesa, ontem, na Cinemateca, quando a presidente da comissão formada pela Academia Brasileira de Cinema, a cineasta Anna Muylaert, anunciou o indicado do Brasil para concorrer a uma vaga no Oscar. Confesso que achava que ia dar Bacurau, mas o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi atropelado pelo de Karim Aïnouz, A Vida Invisível de Eurídice Gusmão. Pelo que entendi, extraindo declarações dos integrantes da comissão a fórceps, a vitória foi de cinco a quatro e a expectativa, agora, é de que Fernanda Montenegro volte ao tapete vermelho da Academia de Hollywood. Todo mundo me confirmou que foi uma discussão de alto nível, mas polarizada, porque as pessoas chegaram com seu voto fechado e ninguém abriu mão. Não me convenci muito. Se foi tão alto nível, por que a tensão (e as caras emburradas)? Algo se passou naquela sala de votação, e um dia saberei/saberemos.

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