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A caminho de casa

Luiz Carlos Merten

18 Fevereiro 2013 | 12h59

BERLIM – Estou me despedindo de Berlim. O festival terminou no sábado e, como sempre, no domingo, são reprisados os filmes da competição e os vencedores em todas as categorias. Nunca passei um domingo tão ativo, vendo filmes, aqui em Berlim. Em geral, deixava para passear, ir a algum museu. Ontem, assisti a quatro filmes, desde o de Giuseppe Tornatore, The Best Offer, até o documentário The Art of Killing, de Joshua Oppenheimer, que espero que o Amir (Labaki) leve para o É Tudo Verdade. Vi também dois programas da retrospectiva, o noir Out of the Past, Fuga ao Passado, de Jacques Tourneur, e a comédia clássica de Ernst Lubitsch To Be or Not To Be, ambos na Retrospectiva, este ano dedicada ao The Weimar Touch. Foi o útimo filme da Berlinale de 2013 e não poderia ter sido um ‘fecho’ mais bonito. Setenta e um anos depois, o público alemão, a plateia de jovens e velhos, ria das piadas antinazistas do grande diretor, num clima de euforia que culminou num aplauso consagrador. Ser ou não ser. Sempre adorei a frase que li num antigo número de Cahiers, na fase da capa amarela: A idade cai bem nas obras que o tempo respeita. Lembrei-me do encontro de Billy Wilder e William Wyler no enterro de Lubitsch. Nunca mais Lubitsch, disse um respeitoso Wyler. Pior, retrucou Wilder – nunca mais as comédias de Lubitsch. Saí para a noite, Carlos Heli de Almeida já havia jantado. Comi rapidinho no Maredo de Potsdamer Platz e vim caminhando para o hotel. Até a noite ajudou – fria, mas nem tanto. Tentei acrescentar esse post ontem à noite. Não consegui. Hoje à noite, regresso para o Brasil, via Paris, mas sem parar. Amanhã, espero estar em casa, postando daí.