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A Berlinale que não vi – cinema de invenção!

Luiz Carlos Merten

22 de fevereiro de 2018 | 18h34

Em Tiradentes, quase fui crucificado porque disse que não tenho muito interesse por plataformas alternativas. Filmes para ver no celular, no laptop não me atraem. Sei que as novas tecnologias democratizaram o ato de fazer cinema, e não sou louco de ir contra isso, mas é uma questão de gosto. Na própria Tiradentes, não importa a forma de captação, os filmes passam na telona da tenda. E as fotos com Iphone viram pôsteres imensos em outdoors espalhados pelas ruas para nos provar sua alta qualidade técnica. A Berlinale está terminando – menos um festival – e eu mentiria se não reconhecesse quanto me dói não ter ido. Queria muito ter visto os filmes da Maria Augusta Ramos, do Luiz Bolognesi, do José Padilha. Teria visto, ou estaria vendo os demais brasileiros. Kiko Goifman, Márcio Reolon e Filipe Matzenbacher… Mas, justamente por ser contraditório, e aberto ao novo, gostaria muito de ter visto o novo Steven Soderbergh, Unsane, feito com Iphone – mas para passar numa das maiores telas do mundo, a do Palast. Tem um monte de filmes dele de que não gosto, mas, e juro que não é para aporrinhar, gostei de Lucky Logan, que é, me perdoem dizer, o Três Anúncios para Um Crime bom. Quem não viu, fazer o quê?Não sei se os coleguinhas brasileiros que estão em Berlim postaram, ou publicaram nos impressos e onlines, mas fiquei louco pelo projeto do novo Lav Diaz e pelo novo Timur Bekmambetov. Season of the Devil é um ‘média’ do Lav, 3h54. Uma ópera rock política, que, segundo ouço dizer – pela própria assessoria do festival, que me envia informes diários – o situa no território de Ken Russell nos anos 1970. Está na competição. O Soderbergh, também, mas fora de concurso, como o Padilha. O Bekmambetov, Profile, é do Panorama Especial. Bekmambetov, o diretor de Abraham Lincoln – Matador de Vampiros, inspirou-se na história de uma jornalista europeia que criou um perfil para entrar em sites de recrutamento de jovens islâmicos. É um thriller, e o atrativo é que ele narra seu filme usando as ferramentas dela – monitores de computadores e diferentes janelas de social midia, mecanismos de busca e programas de edição. Já imaginaram numa tela grande? Não tenho notícia de nada tão intrigante feito no celular. Quem souber, em todo caso, me avise.

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