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O jovem Bertolucci

Luiz Carlos Merten

03 de novembro de 2013 | 13h21

Estou na redação do Estado, onde fiz meus textos para a edição de amanhã do Caderno 2. A crítica de O Mordomo da Casa Branca, que estreou na sexta, e um destaque para O Militante, na repescagem da Mostra. O filme de Manolo Nieto não só introduz novidades na minha – na nossa – percepção do cinema uruguaio como mostra a afinidade do diretor com seu produtor, e ele é ninguém menos do que Lisandro Alonso. Lisandro quem? Se for cinéfilo, você sabe quem é. E eu confesso que estou nos cascos para ver a parceria de Alonso com Viggo Mortensen, num filme que se passa após a campanha do deserto, no século 19. O governo de Buenos Aires lançou-se numa campanha de extermínio dos índios, mas o filme não trata disso e sim de um dos estrangeiros que participaram, como soldados, da matança. Concluída sua missão selvagem, o personagem de Viggo erra no deserto com a filha. Já pensaram? A estreia é prevista para 2014. Cannes, onde Alonso tem tido cadeira cativa? Berlim? Ontem pela manhã, em casa, redigia os posts sobre John Ford e William Wyler e seguia na TV As Duas Torres, a segunda parte de O Senhor dos Aneis. Quando ligo a TV e o filme está passando, não consigo desgrudar. E Viggo é poderoso como Aragorn. À tarde, fui ao Cinesesc comprar ingresso para ver La Jaula de Oro. Fiz bem, porque à noite a lotação esgotou. Preciso corrigir uma informação que já dei aqui. Disse que tinha visto o filme de Diego Quemada-Díez em Cannes, mas não foi lá. Vi em Paris, no Reflets Médicis, na semana seguinte, na programação que a sala dedica à mostra Un Certain Regard. Repesquei dois filmes que havia perdido, La Jaula e As I Lay Dying, que James Franco adaptou de William Faulkner (e muito me impressionou). Comprei os ingressos e perguntei qual era o filme da hora, o documentário sobre Bernardo Bertolucci, que havia visto em DVD. Resolvi (re)ver no telão, e foi ótimo. O que aquele jovem Bertolucci era bonito não está no gibi. Deve ter feito a fila andar, o Bernardo. Divertiu-se muito. E eu adorei vê-lo falar de melodrama, de poesia e política, e de seus mentores. Os diretores Luca Guadagnino e Walter Fasano garimparam entrevistas filmadas ou gravadas – em italiano, francês e inglês – e que, em diferentes épocas, mantêm a continuidade do discurso sobre os filmes. Muito interessante. À noite, revendo La Jaula de Oro, e por mais apreço que tenha pelo filme, acho que valeu a pena ter-me batido para que Jia Zhang-ke, e não ele, ganhasse o prêmio da crítica. Fui voto vencido, mas me parece absurdo que, numa Mostra tão grande, um primeiro filme – e esse, em particular -, tenha tido a preferência dos colegas. As limitações estão na cara. Enfim, passou.

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