As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O que é o novo?

Luiz Carlos Merten

01 de novembro de 2013 | 10h35

Ao entrevistar Diego Quemada-Díez, conversamos bastante sobre Luis Buñuel, porque tinha para mim que Los Olvidados foi uma de suas referências. Ele confirmou, conversamos sobre o que e como Buñuel o influenciou, mas não tive como encaixar o tema na matéria do Caderno 2, só acho importante que fique registrado. A repescagem da Mostra começa hoje, em três salas. Cinesesc, Cinusp e Cinemateca. Vai ser possível rever os vencedores e outros filmes selecionados, inclusive o grego Meteora, que perdi para ver o Tsai e agora espero recuperar. Para permanecer na Grécia, gostaria de ver Miss Violence na tela grande, pois o vi não só em DVD como no computador, o que é o Ó para mim, mas achava importante ter visto o filme, para poder participar do prêmio da crítica, e agora me arrependo de ter ido. Não tenho sintonia com meus colegas, sorry, e pegando carona no que um deles disse de Cães Errantes – que o filme foi feito para incomodar, pode ter argumento mais pobre? Van Gogh pintava para consolar e o Tsai filma para incomodar? Ai, meu Deus. Eu me incomodo muito mais com gente que fala durante a projeção ou revira o saco de pipoca, e isso ocorre o todo em que vou ver filmes em cartaz. Mas, enfim, acho que também termino querendo incomodar, e irrito, e tem gente que quer me matar (sei). Mas, no limite, detesto pensamento em bloco e, o que é pior, a adesão a um inconformismo que é falso. Conversei sobre isso com Amos Gitai. O momento não anda bom para o cinema – digo o de arte, que se repete mais que o cinemão. O que tem havido de novo, novo mesmo? O Jia, o Alain Guiraudie, a Lina Chamie, talvez o Kechiche. Eu, por exemplo, não vou ter a menor dúvida de colocar dois blockbusters entre os dez mais do ano – Homem de Aço e Gravidade – nem de depositar São Silvestre, que estreia em dezembro, no panteão de melhor brasileiro do ano. Me lembro de haver dito a Silvia Cruz, da Vitrine, que lançasse O Som ao Redor ainda em 2012, mas o filme de Kleber Mendonça Filho entrou na primeira semana de 2013, no início de um ano que está sendo muito bom, em mais de um sentido, para a produção nacional e sua chance de ir perdendo espaço seria grande. No ano passado, teria sido imbatível. Não olhei toda a lista da repescagem. Não sei se tem nacionais, mas espero que tenha o Marcorrente, de Paulo Sacramento, que perdi, e é um filme que quero muito ver.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: