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No muro, não

Luiz Carlos Merten

17 de outubro de 2013 | 09h46

Fui jantar com meus amigos Dib Carneiro, Gabriel Villela e Cláudio Fontana na terça à noite. Num lugar que não conhecia, o Bar da Onça, no térreo do Copan. Gabriel levou os assistentes, o Ivan e o Daniel. O bar é uma delícia, caro, mas com petiscos e bebidas que deixam a gente salivando., Encontrei Jean-Claude Bernardet, que mora no Copan. Expressamos a mesma insatisfação pelo resultado da competição no Festival do Rio. Não consigo levar a sério, sorry, júris que ficam em cima do muro e dividem os prêmios principais. Para isso existe o presidente, como voto de Minerva. Já participei de júris ‘democráticos’, sem presidente, e virei um bicho para defender que Eu Me Lembro, de Edgar Navarro, por exemplo, acumulasse prêmios em Brasília. Prefiro errar com convicção a fazer média rateando prêmios. Poderia até discutir a escolha de Fabiano Canosa e seu júri, mas que eles tivessem optado e não ficado naquela divisão ridícula entre pelo Lobo Atrás da Porta ou o De Menor, que prefiro. Os dois passam sábado na Mostra. Vejam. A Mostra começa hoje paras convidados com o filmer dos Coen, Inside Llewyn Davis, que ganhou um subtítulo – A Balada de Um Homem Comum. Não tenho muita paciência com os Coen e seus truques para manipular o público. Aqui tem uma episódio envolvendo um gato. Meu amigo Rodrigo Salem disse que não tinha a menor importância, que me havia irritado à toa. Fui à coletiva do filme em Cannes e tive de aguentar aquele cara do Guardian babando ovo pelo Oscar Isaac. Mas valeu ouvir do próprio Ethan que o gasto é a única coisa que importa. Tentem ver o filme hoje à noite, os convidados, ou o público em geral,. a partir de amanhã, por este ângulo. Justamente amanhã – se não for a primeira, a segunda sessão da Mostra (não lembro a sala), vai exibir, às 15h10, a versão restaurada de Providence. O filme em língua inglesa de Alain Resnais é meu segundo preferido na obra do autor. O primeiro (alguma dúvida?) é Hiroshima, claro. Providence tem uma trilha genial de Miklos Rosza e o final, não vou dizer mais nada, é sublime. O que é o cinema, qu’est-ce que le cinéma? Para mim, é aquilo.

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