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Êxtase

Luiz Carlos Merten

14 de outubro de 2013 | 14h56

Epifania. S.f, manifestação de Jesus Cristo aos gentios na pessoa dos Reis Magos que o vieram adorar. Metaforicamente, ascese, deslumbramento. Experimentei hoje uma epifania assistindo ao documentário de Lina Chamie sobre a São Silvestre. Tenho gostado muito de certos filmes brasileiros e estrangeiros neste ano da Graça de 2013, mas tenho a impressão de que experimentei somente duas epifanias completas. Experiências extáticas. Com São Silvestre e o filme de Alfonso Cuarón,  Gravidade, cuja meia-hora final é de assistir com o coração na mão. Sobre o que versa o filme da Lina? É um documentário sobre a corrida de São Silvestre de 2011, mas na verdade é um híbrido e eu diria até que é mais ficção do que documentário. A presença de Fernando Alves Pinto entre os corredores, e ele é ator fetiche de Lina há uma pá de tempo, o desenho de som e a elaboração da trilha, tudo isso é de uma riqueza que me deixou em transe. E é um filme sobre nada, ou sobre tudo, o que significa que depende do nosso olhar, do que  a gente projeta ou absorve (inventa?) daquelas imagens e sons. Temos no começo um corredor solitário e, depois, entra a massa, mas dentro dela está sempre Fernando Alves Pinto dizendo… o quê? A explosão de humanidade de São Silvestre, como a de Gravity, é uma coisa belíssima. E a chuva – o tempo ajudou. Num dia de sol, não teria sido a mesma coisa.  Não gostei de Os Amigos, outro filme da Lina, que passou em Gramado e no Rio. São Silvestre abraça a humanidade, o que é melhor do que aquele pobre grupo reunido por ela na ficção. A diretora volta ao topo do seu cinema autoral, musical. Mais um filme para a minha lista de melhores do ano? Com certeza. Aguarde a segunda. São Silvestre vai abrir a programação da Mostra no vão do Masp. Depois, estreia no fim de novembro ou início de dezembro.

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