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A quantas andamos?

Luiz Carlos Merten

03 de outubro de 2013 | 10h27

RIO – Estou tentando achar tempo, neste corrido Festival do Rio, para ver A Família, de Luc Besson, com Robert De Niro e Michelle Pfeiffer. Havia visto o trailer e agora o filme está em cartaz, daqui a pouco sai e terei perdido. A interdição temporária do Odeon, por causa da área de risco em que se converteu a Cinelândia, levou a que, nos últimos dois dias, os filmes tenham sido exibidos à meia-noite. Queria ter revisto o Tatuagem – sim, por que não? -, mas tive de ir a São Paulo e perdi. Fui jantar ontem no Lamas, na Marquês de Abranches, e encontrei Hilton Lacerda, que também ia a Sampa para resolver assuntos hoje. Confesso que ainda não vi nada impactante na Première Brasil. Gostei bastante de O Homem das Multidões – está sendo meu preferido -, mas foi uma admiração intelectual, digamos ‘serena’, embora o filme tenha ficado comigo e volta e meia me pegue lembrando de sua ousadia, o formato quadrado, o elenco, com Sílvia Lourenço e o Paulo André, do Grupo Galpão. Não tem essa daquela coisa de ator de teatro que exagera no cinema. Paulo André é de um minimalismo comovente. O curioso é que, no debate, que mediei, falei várias vezes no fato de o filme encerrar a trilogia de Cao Guimarães sobre a solidão (A Alma do Osso e O Andarilho, os anteriores) e Jean-Claude Bernardet, que é ator em O Homem das Multidões, não propriamente me corrigiu, mas lembrou que Marcelo Gomes, como co-autor, também fecha aqui sua trilogia da solidão, se pensarmos em Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te amo e Verônica. Onde está a curiosidade? Talvez no fato de Marcelo Gomes haver se associado a um projeto que era de Cao Guimarães. O mineiro é que queria filmar o conto de Edgard Allan Poe. No limite, embora a adaptação seja bastante livre, creio que a essência do texto, e sua estrutura, permanecem no filme, que consegue ser autoral a dois. A três? O debate já se havia se prolongado demais, não havia como prosseguir, mas o que acho interessante é como O Homem das Multidões termina englobando muitas outras coisas. O co-autor (com Marcello) de Viajo Porque Preciso, Karin Ainouz, também tem sua trilogia da solidão, com O Céu de Suely e o filme com a poderosa Alessandra Negrini, cujo título sempre esqueço. Isso aparece no Poe, melhor seria dizer, ‘poético’, de Marcelo e Cao. Um filme e seus múltiplos desdobramentos. Há muito o que falar sobre O Homem das Multidões. Foram sete anos de encontros, discussões e muita criatividade., No final, um dos produtores, João Jr., referindo-se à tecnologia digital, disse que o filme todo cabia aqui, ó, e exibiu um pen-drive. Foram-se os velhos rolos, o futuro chegou e é digital. Daqui a pouco erntrevisto Lee Daniels e Amat Escalante. O mexicano ganhou o prêmio de direção em Cannes, em maio, por Heli, do qual gosto muito. Anos atrás, ele mostrou também em Cannes, em Un Certain Regard, Los Bastardos. Claire Denis mostrou em Cannes, em Un Certain Regard, este ano, o seu Bastardos, que ia estrear amanhã, mas foi prorrogado. O de Escalante, sobre dois imigrantes clandestinos em Los Angeles, contratados por um homem para matar sua mulher, é melhor.

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