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Ai, que preguiça!

Luiz Carlos Merten

28 Setembro 2013 | 10h28

Já tenho minha programação de hoje. Quero ver um Fritz Lang à tarde – o primeiro Mabuse – e à noite rever Salvo e assistir a Gravity, de Alfonso Cuarón, à meia-noite no Odeon. Nos intervalos, vou tentar encaixar o que der. O Festival do Rio começou para convidados na quinta à noite com Amazônia, e eu devo confessar que não gostei muito do documentário ficcional ou da ficção documentária de Thierry Ragobert. Sentou-se ao meu lado uma garota que, no final, me perguntou se havia gostado. Disse que não, e ela resolveu me dar uma lição – disse que era preciso sensibilidade para fazer a imersão no filme. Pelo visto, achou que eu era algum brucutu. É uma conspiração – brinco, claro. Na segunda ou terça, nem lembro mais, na junket de Mato sem Cachorro, em São Paulo, fiz uma observação e o diretor Pedro Amorim disse que quis refletir sobre os jovens da geração dele e eles entendiam o filme. Era, obviamente, um recado para o ‘vovô’. O fato de os jovens entenderem não deixa o filme melhor, fazer o quê. Mato sem Cachorro abriu ontem a Première Brasil. Sem desmerecer o filme, que tem lá suas qualidades, duvido que não houvesse coisa melhor para abrir a seção do festival que se pretende como a grande vitrine do cinema brasileiro. Sobre Amazônia, meu amigo André Miranda, do Globo, colocou de forma mais direta um sentimento que tive, mas, dada a correção política do filme, achei que seria impróprio manifestar (até para mim mesmo). O filme acompanha macaquinho da cidade que é lançado na floresta e precisa reassumir sua natureza selvagem para sobreviver no Planeta Verde. O olhar do macaco conduz o nosso – seu assombro diante de uma fauna tão diversa quanto ameaçadora. Confesso que não tenho muita paciência com documentários sobre a natureza. São poucos os que me cativam. National Geographic não existe no meu dial, passo direto. Em compensação, amo Ratatouille e vou até o fim do mundo em defesa da animação (é o mesmo caso de Zarafa. Sou capaz de tirar o Tabu da minha lista de dez mais de 2013, mas Zarafa vai estar lá, com certeza). Deixando de lado essas considerações, Amazônia é tão correto, e o macaquinho tão chato, que eu me senti culpado pelo sentimento que o André teve mais coragem de externar, não sei se no impresso ou na rede, mas para mim, pelo menos. Na entrevista com meu amigo Luis Bolognesi, vibrei com o entusiasmo dele, como o macaquinho enganava a onça. Bicho esperto, o Macunaíma da flooresta. Perdão, Luis, mas em algumas horas pensava que um bicho daqueles ou um caçador podia acabar com meu tormento. Pobre macaquinho. Tenho de rever Amazônia, mas só de pensar já me canso. O título do post é, obviamente, uma referência a Mário de Andrade.