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Quem mesmo o vento leva?

Luiz Carlos Merten

23 de junho de 2013 | 00h31

Olá! Cheguei ontem, mas meu dia foi tão agitado que simplesmente não tive tempo de postar. Tinha matérias paras o Caderno 2 de sábado e domingo, a crítica de Universidade Monstros, que adorei, e a set visit de Man of Steel, que fiz há quase doios anos, em agosto de 2011, mas cuja matéria está saindo somente agora. Não é segredo para ninguém que não faço anotações. Reconstituir meus diálogos com Zack Snyder, com o Superman dele, Henry Cavill, e com o pai do diretor, Eli Znyder, que estava no local, foi muito mais desgastante (e até tenso) do que poderia imaginar. É raro escrever uma matéria mais de uma vez, mas foi o que fiz. Escrevia e avaliava – não foi isso que eles disseram, ou não foi assim. Seja como for., a matéria está impressa. Aleluia! Acabo de jantar com meu amigo Dib Carneiro e com Orlando Margarido, depois de assistir ao Bob Wilson da vez, A Dama do Mar, de Ibsen, na adaptação de Susan Sontag. Quem viu um Bob Wilson viu todos. A mise-en-scène do cara não muda, mas ele é um puta iluminador, faz espetáculos lindos, mas eu fiquei pensando como seria A Dama do Mar encenada realisticamente, como foi, aqui em São Paulo, por Sérgio Carvalho, com a mesma atriz. Enfim, foi um belo espetáculo, um bom jantar – Orlando achou caro, na Mercearia do Conde – e agora cá estou, em casa, postando, finalmente. A vinda de Brad Pitt foi cancelada pela Paramount, mas mesmo assim vou ao Rio neste domingo para visitar o set de Getúlio. Espero não me arrepender. Com todas essas manifestações, ficou complicado encarar um aeroporto. Saí de um País, na semana passada, e regressei em outro. Ainda estou tentando processar o que ocorre por aqui. Em Santa Fé, além daquela Cinema Retro, comprei outra revista voltada ao cinema do passado, Shock Cinema. Nem sabia que existia. Cinema Retro se autodefine como ‘the essential guide to movies of the 60’s and 70’s’. O vol 9 issue 26 chama na capa Straw Dogs e dedica 12 páginas ao mítico filme de Sam Peckinpah com Dustin Hoffman, Sob o Domínio do Medo. Shock Cinema, serving the film fanatic since 1990, está no número 44. A edição que comprei traz entrevistas com Stuart Whitman, Barbara Bouchet, Shirley Knight e Jon Polito. Contratado da Fox, nos anos 1950 e 60, ‘Stu’ participou de filmes cultuados, e o meu preferido é Rio Conchos, de Gordon Douglas. A entrevista revela detalhes de bastidores de filmes que fazem parte do meu imaginário (Os Comancheros, Esses Homens Maravilhosos com Suas Máquinas Voadoras etc), mas caí duro quando Stuart Whitman conta como conheceu René Clément por intermédio de Alain Delon e como se envolveu no projeto de O Dia e a Hora. Até aí, tudo bem, mas ‘Stu’, que não tem limites, conta como Yves Montand ficava com Marilyn Monroe e como ele, enquanto isso, comia a mulher de Yves, Simone Signoret. ‘Formávamos uma grande família’, ele diz. Barbara Bouchet também conta como não quis dar para certos produtores que a assediavam em Hollywood no começo dos anos 1960 – o próprio Otto Preminger, que depois se comportou cavalheirescamente com ela -, e isso a levou à Itália, onde ela virou uma das rainhas dos gialli, disputando espaço com Edwige Fenech. Edwige quem? Quem está na faixa dos 60 anos sabe, com certeza. Shirley Knight também lembra todos os grandes diretores com quem trabalhou – Richard Brooks, Richard Lester, Francis Ford Coppola. O pai de Sofia escreveu para ela The Rain People, Caminhos Mal Traçados, e sonhava ter com Shirley uma relação ao mesmo tempo artística e sexual, como a de Michelangelo Antonioni e Monica Vitti. Shirley foi indicada duas vezes para o Oscar de coadjuvante, ganhou depois o Tony e também foi indicada para o Emmy. Contratada da Warner, ela conta como foi bater na porta do lendário Jack Warner para reclamar que, depois de suas duas nominações para o Oscar, ele só a escalasse para filmes porcaria, os piores do estúdio. A cena é reveladora de Hollywood. Jack Warner lhe disse – ‘Era só o que me faltava, outra Bette Davis! Ponha-se daqui para fora.’ Acho essas revistas bem interessantes. Dão um outro panorama do cinema para a gente. E onde mais você vai encontrar críticas sobre Zulu Dawn, de Douglas Hickox; The Last Samurai, de Kenji Misumi; e Black Cobra Woman, com a black Emmanuelle, Laura Gemser? O bom é que muita coisa que era trash há 40 ou 50 anos, hoje é reconhecida como obra de arte. O tempo passa e o vento leva os críticos, mais que os filmes.

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