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Pleine Lune com Rohmer

Luiz Carlos Merten

11 de junho de 2013 | 09h33

Não sou rohmeriano de carteirinha, como Inácio Araújo, por exemplo. Participei de um concurso de roteiros da Petrobrás no qual Inácio apresentou um projeto de filme que, hélas, não foi aprovado. Até onde me lembro, era o roteiro mais rohmeriano que Rohmer não havia escrito. Rohmer não é para todos os gostos. Eu mesmo, só gosto dele em pequenas doses e, com certeza, prefiro os Contos Morais às Comédias e Provérbios. Coloquemos assim. Gosto muito de Alain Resnais – mas prefiro Hiroshima e Providence a Marienbad -, me encantam certos filmes de Louis Malle – O Ladrão Aventureiro mais que todos -, mas não são autores da nouvelle vague. François Truffaut, Jean-Luc Godard e Claude Chabrol, sim, são nouvelle vague. Acompanhei a revolução deles, correndo ao Rex e ao Ópera, dois cinemas que fecharam em Porto Alegre, para ver o que propunham e, no caso do incansável Godard, tinha de ir duas ou três vezes conferir seus novos trabalhos, a cada ano. É curioso que os cinemas tenham fechado. A própria nouvelle vague….Hoje em dia, salvo exceções, prefiro Chabrol e até Jacques Démy. Rohmer escreveu com Chabrol um livro sobre Alfred Hitchcock realçando a importância do paradoxo na obra do mestre do suspense. Rohmer foi meio que levado pela nouvelle vague. Demorou para ser consagrado pela crítica, como observa Jean Tulard no Dicionário de Cinema. Seu estilo é tão peculiar que eu sempre me perguntei como seria poder ver a obra inteira de Rohmer numa semana, ou duas. Muitos diálogos, classicismo na concepção do espaço, um gosto pela libertinagem, mais que pela sedução e, claro, as falsas escalas, que estão na origem do artificialismo deliberado que dá o tom no cinema do autor, mesmo que, na essência, ele pareça um naturalista. O momento chegou. Começa hoje um ciclo dedicado a Rohmer no Centro Cultural São Paulo. Uma retrospectiva que inclui meus preferidos – Minha Noite com Ela, para mim, sua obra-prima, Les Nuits de la Pleine Lune, A Marquesa d’O. Não sei quanto ou o que poderei (re)ver, porque no fim de semana embarco para os EUA, para a junkett de The Lone Ranger. Havia pegado a programação no fim de semana, quando passei no Cine Olido, e me atraíram os curtas e médias, um monte, que nem sabia que Rohmer havia feito (um Don Quixote). Guardei que amanhã, quarta, em algum momento, tem o Perceval le Gaullois, e este eu quero, preciso ver. Vejam quantos Rohmer(s) quiserem ou puderem, mas privilegiem Minha Noite com Ela – Maude, a sublime Françoise Fabian, viúva de Jacques Becker. Há uma elegância neste filme, uma sutil ironia. É o ‘meu’ Rohmer, sempre foi.

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