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Notícias da Dinamarca

Luiz Carlos Merten

07 de junho de 2013 | 09h37

Todo ano procuro em Cannes a revista Film, editada pelo Danish Institute especialmente para o festival. Em geral, demoro para olhar a revista – o que acabo de fazer. Na orelha da capa, hás uma citação de Nicolas Winding Fern – ‘Sempre achei que os inimigos da criatividade fossem o bom-gosto e o desejo de se sentir seguro, com medo de ousar.’ Interessante, mas a nova parceria de Windoing-Fern com Ryan Gosling, Only God Forgives, foi uma das grandes decepções do festival. Gosling sequer deu as caras em Cannes e parece que os dois brigaram feio. Mas a revista traz coisas que merecem destaque – um guia para parcerias (de coprodução) com a Dinamarca, um guia de documentários em  fase de finalização – e Amir Labaki, do É Tudo Verdade, senão a Renata Almeida, da Mostra, ou a Ilda Santoiago, do Festival do Rio, por favor tragam The Man Who Didn’t Push the Bottom, sobre o obscuro funcionário soviético que, em 1983, não apertou o botão, quando o computador que controlava os mísseis da URSS enlouqueceu (como Hal 9000) e anunciou um ataque dos EUA. Somente agora, 30 anos depois, o caso veio a público e o diretor Peter Anthony foi atrás do cara, que comeu o pão que o diabo amassou no comunismo, por não ter seguido o protocolo, e no pós, por ser contra a ditadura de Putin – ah, perdão, não é ditadura, porque o Putin foi eleito, mas o falecido Hugo Chavez também, não?, e era até menos sanguinário. Há ainda um quadro dos maiores sucessos de bilheteria na Dinamarca. A maior bilheteria do país nos últimos dez anos é Klown, de Mikkel Norgaard, com A Caça, de Thomas Vinterberg, em quarto lugar. No ano, A Caça é o número um, disparado. E, ah, sim, nenhum filme de Lars Von Trier está entre os dez mais da década. O cara é sucesso só de exportação, por assim dizer. Curioso, muito curioso.

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