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Diário da Croisette (20)

Luiz Carlos Merten

23 de maio de 2013 | 20h03

CANNES – O dia hoje foi de Jerry Lewis, que veio mostrar Max Rose, mas o inesperado foi que o festival cancelou a  exibição do filme de Daniel Noah para a imprensa, mantendo, mesmo assim, a coletiva. Jerru Lewis falou basicamente sdpbre sua carreira, mas conseguia entender o personagem do filme de Noah, um homem que perde a mulher, mas sobrevive por amor à filha. O rei da comédia veio dizer o que pode parecer uma banalidade – não se vive sem amor -, mas tem a sabedoria simples de um cara que já viveu 87 anos. 87! Foram doenças, depressões, filmes interrompidos, mas Lewis, homenageado pelo festival, é tema de um documentário em que Eddie Murphy, Quentin Tarantino e Steven Spielberg, entre outros, reafirmam o que você já sabe aqui do blog – que ele é um gênio e que filmes como O Professor Aloprado, Três Num Sofá e As Joias da Família fazem a psicanálise da América. Gostaria de ver Max Rose,. mas não sei se o filme integra a repescagem, no domingo. Tenho de esperar para ver. Hoje, de qualquer maneira, corri feito louco para, em,  meio às matérias que tinha de fazer, assistir a Tarde de Outono, de Yasujiro Ozu, em Cannes Classics. Comemoram-se este ano 110 anos do nascimento de Ozu e 50 de sua morte. Ele morreu no mesmo dia em que nasceu e, muito minimalista (despojado), fez inscrever na lápide sua tumba uma só palavra – Mu, que quer dizer ‘nada’. O túmulo de Ozu virou lugar de peregrinação e as pessoas deixam garrafas de saquê ou de uísque, porque é um fatop que OLzu bebia demais e morreu em consequência disso.  A homenagem a Ozu havia começado em fevereiro, em Berlim, e o diretor artístico Thierry Frémaux fez o que não deixa de ser uma piada. Lembrou Michel Pìccoli, que, na apresentação da versão restaurada de A Grande Comilança, de Marco Ferreri, disse que o cher Marcello Mastroianni não havia podido vir. Natural, posto que o grande ator morreu em… Agora foi a vez de Frémaux lembrar que Ozu, morto em 1963, também não poderia vir. Para suprir a ausência, o que fez o festival? Chamou dois grandes cineastas, o chinês Jia Zhang-ke e o japonês Hirokazu Kore-eda, para que falassem sobre o autor que tanto admiram. Ambos falaram em família e na sua transformação nas sociedades da China e do Japão. É um grande filme (Tarde de Outono), naquela linha minimalista – menos é mais – que fez a glória de Ozu. Puta filme bonito. Chisu Ryu, o ator fetiche do autor, faz um pai que libera a filha para se casar, convencido de que ela, se ficar devotada a ele, permanecerá solteira. Ozu é… Ozu, de uma delicadeza e profundidade exemplares, até quando tenta ser simples, como aqui. Agora, chega, vou dormir. Daqui a pouco tem The Immigrant, de James Gray. Imaginem se eu não vou querer visitar os dois – filmes, personagens e ambientes. É que vamos descobrir daqui a pouco.

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