As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Esta Criança

Luiz Carlos Merten

13 de maio de 2013 | 09h00

Decididamente, não. Que maneira de começar um post, mas estou respondendo à pergunta que Márcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro, fazia no título de sua montagem anterior. Todo mundo nu, mas sem safadeza. Teatro sério, de indagação (estética, social e existencial). Achei, com todo respeito, uma m… Épatant no mau sentido, para chocar (mas não é a palavra) pequeno-burguês. E aí fui ver no sábado a nova montagem do grupo, Esta Criança. Êpa! Gostei demais. É verdade que Renata Sorrah representa um plus a mais, como diria Daniel Filho, e puxa o restante do elenco para cima. O que é aquela mulher em cena? Poderosa… Histórias de família, de pais e filhos. Na primeira, uma filha, que vai ser mãe, conta como vai ser diferente da mãe dela. Na última, a mãe pede perdão à filha e ela se regozija quando a mãe vai embora. No miolo, a história da mãe que vai com a amiga ao necrotério para identificar o corpo do filho. É a grande cena, a mais impactante e, ao mesmo tempo, a mais previsível – ou alguém tinha dúvida? Gostei do texto de Joel Pommerat, dramaturgo que já conhecia e que de alguma forma me lembrou William Inge, que escreveu para Elia Kazan op roteiro de Clamor do Sexo. É tão natural filhos terwem resseentimento pelos pais, mas a maturidade, dizia Kazan, é quando a gente percebe isso, consegue perdoar e seguir em frente. Acima de tudo, o que me impressionou em Esta Criança, e Márcio Abreu deu-se conta disso, é que não é preciso tirar a roupa para se desnudar em cena. O diretor imprime sua marca – os personagens cantam, como cantavam em Isso Te Interessa? Só uma coisa – por que em inglês? Para mostrar o mundo global em que estamos inseridos? É um belo espetáculo, uma bela montagem e a concepção cênica, aquele espaço torto no palco do Sesc Vila Mariana, me pareceu muito forte.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.