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Cannes Classics

Luiz Carlos Merten

13 de maio de 2013 | 08h36

Vocês me conhecem. Sabem que, para muitas coisas, sou como Jack (o estripador). Vou por partes. Estava em Cancun quando Cannes divulgou sua seleção oficial. Fiz uma leitura vertical, em busca de brasileiros. Não havia. Depois, vieram o Recife, o Festival Varilux. Cannes parecia uma coisa distante. Agora, chegou. Embarco hoje à tarde para Paris e, de lá, para Nice, seguindo por terra – é a praxe – para Cannes, onde devo chegar amanhã à tarde. Pela diferença de horário, ainda ser´~a pela manhã no Brasil. Ontem, ao redigir a matéria de abertura do 66.º festival – está na capa de hoje do Caderno 2 -, foi que me dei conta do que me espera. A seleção me pareceu mais interessante, com todos aqueles nomes na competição – Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Takashi Miike, Hirokazu Kore-eda, Asghar Farhadi, Abdullatif Kechiche, Nicolas Winding Refn, Paolo Sorrentino, Jia Zhang-ke, James Gray, Ethan e Joel Coen (este é para vocês), François Ozon etc. E em Un Certain Regard, Claire Denis, Sofia Coppola, Hany Abu-Assad. E tudo vai começar na quarta com O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann, que enfrenta um senhor desafio – a dele é a quarta adaptação do romance de Scott Fitzgerald e apesar de alguma coisa boa aqui, outra ali (a interpretação de Alan Ladd  na versãop de Elliott Nugent, de 1949, a trilha de Nelson Riddle, vencedora do Oscar, na de Jack Clayton, em 1974), o cinema nunca fez justiça ao livro. Baz Luhrmann fará? Ponho fé que sim, porque a obsessão de Jay Gatsby por Daisy e o engano desse homem pelas aparências – o fato de se tornar milionário não o coloca no mesmo nível da mulher amaa – tgêm tudo na ver com Baz. Me animei mais, mas me animei principalmente ao ver o que Cannes Classics vai exibir – as versões restauradas de Cleópatra, de Joseph L. Mankiewicz, Hiroshima Meu Amor, Charulata, Os Guarda-Chuvas do Amor, Lucky Luciano, Tarde de Outono (Ozu!). Tem até um Hitchcock, e não é um qualquer, mas Vertigo, Um Corpo Que Cai, que acaba de ser escolhido na Inglaterra como o melhor filme de todos os tempos. E pensar que, por causa da convergência de horários, vou terminar perdendo muita coisa disso (dos ‘meus’ clássicos”). To choose or not to choose? Às vezes, somos escolhidos. Lá vou eu, mas ainda não é agora.

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