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Histórias, histórias, histórias

Luiz Carlos Merten

23 de março de 2013 | 09h39

Já havia salvado o post anterior quanmdo me lembrei de que Stanley Kubrick não tinha muito apreço por Spartacus – mesmo sendo um dos maiores épicos de Hollywood e um superespetáculo de primeira – por motivos que envolviam, mesmo que indiretamente, o personagem, de John Gavin. Kubrick queria ressaltar a bissexualidade de Crassus, interpretado por Laurence Olivier, avançando na relação dele com o escravo-poeta, Antoninus (Tony Curtis). Ele chegou a filmar cenas consideradas ousadas e que desagradaram ao ator e produtor Kirk Douglas, que usou seu direito de montagem – Kubrick, em contrapartrida, criou aquela frase no diálogo de Lolita, quando James Mason (é ele, não? Ou será Peter Sellers?) diz ‘My name is Spartacus, ou I’m Spartacus, set me free.’  Justamente para incrementar a ligação de Crassus e Antoninus, Kubrick pediu a John Gavin uma interpretação perfeitamente neutra como o jovem tribuno que gravita entre os dois senadores rivais, Crassus e Graco, ou Charles Laughton. Talvez John Gavin fosse só estampa, talvez fosse mesmo inexpressivo, mas eu gosto dele nos filmes de Douglas Sirk e me pergunto se Constance Towers e ele se debruçam sobre seus anos de juventude e avaliam o privilégio que foi ter trabalhado com artistas como John Ford, Samuel Fuller e Sirk. Terá sido a mudança na estrutura dos estúdios? Os anos 1960 e 70 viram florescer e se afirmar a cultura dos independentes. Acabaram-se os contratos que prendiam os atores e atrizes aos estúdios. John Gavin foi ser embaixador no México (acho que de Ronald Reagan, mas teria de pesquisar). Imagino que o fato de ter sido embaixador pode ter favorecido essas conversas que gostaria de pensar que Constance e ele tinham (e têm, estão vivos ambos). Afinal, uma das funções de qualquer embaixador é promover a cultura de seu país. Como ignorar o cinema dos EUA? E no México, um país que também teve a sua idade de ouro? Histórias, histórias, histórias. A quem interessam?

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