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Constance Towers

Luiz Carlos Merten

23 de março de 2013 | 09h26

Quando entrevistei Samantha Fuller e a filha de Sam me disse que adorava rever os filmes do pai, porque tinha a impressão de conhecê-lo cada vez mais por meio deles, fiquei tocado. E fiquei mais ainda quando elas me disse que consegue identificá-lo por meio das personagens, sejam mulheres ou homens. Samantha tem um carinho especial por Constance Towers, que considera a mais fulleriana das atrizes. Revi no outro dia a abertura de choque de Beijo Amargo. Vocês não imaginam o efeito que a cena teve sobre mim quando a vi, nos anos 1960. Na época, já era tiete de Constance, que fez dois filmes com John Ford, Marcha de Heróis e Audazes e Malditos, e um com Fuller, Paixões Que Alucinam, Shock Corridor. Dois filmes de Ford, dois de Fuller, uma extensa carreira no palco e na TV… No seu website, Constance Towers é definida como atriz e cantora e ela participou de musicais, inclusive o revival de O Rei e Eu, quando Yul Brynner voltou ao papel que o consagrou e lhe deu o Oscar (no musical de Henry King, com Deborah Kerr como ‘Anna’, a personagem que Constance recriou). O que me atraía nela era a dureza, e o desfecho de Beijo Amargo não deixa dúvida quanto a isso, mas temperada não propriamente pela doçura, mas pela civilidade. O mais curioso é que me havia esquecido – Constance Towers é casada, há quase 40 anos, desde 1974, com John Gavin, que foi um dos últimos galãs da Unversal, participando, como tal, de dois clássicos de Douglas Sirk – Amar e Sofrer e Imitação da Vida. O casal, mesmo que separadamente, é parte da história do cinema – da minha, com certeza.

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