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Spielberg em Cannes

Luiz Carlos Merten

02 de março de 2013 | 11h01

Marcos se aborrece com meus ‘ensaios’, como diz, mas volta e meia regressa para opinar, embora, desta vez, comparar a dúvida em Steven Spielberg com a de Paul Greengrass na franquia Bourne não me pareça muito certo. São grandezas diferentes, mas sou eu dizendo, e o Marcos tem todo o direito de pensar o contrário. Volte sempre, amigo. Cássio pergunta minha opinião ao saber que Spielberg presidirá o júri de Cannes, em maio? Fiquei encantado, louco pela coletiva dele e, ao mesmo tempo, curioso para conferir seus gostos como espectador, que certamente vão se refletir na premiação. No começo de fevereiro, estava indo para a França, Lincoln estreava no país e Spielberg, numa entrevista acho que para Le Point, dizia que pensou muito em pintores para fazer o filme (a luz de Degas, por exemplo) e também que, como cineasta, pensava sempre em Michael Curtiz, o tipo do diretor, não necessariamente autoral, mas sólido, preocupado com a história e os personagens, que adotou como modelo para o que queria fazer. Quem, em 2013, toma Michael Curtiz como modelo para alguma coisa? Somente Spielberg. Pensando nisso, não posso deixar de refletir – Mihaly Kertesz (nasceu na Hungria, virou Curtiz nos EUA) teve uma carreira longa e diversificada. Foi o homem de um só estúdio, embora tenha filmado em outros, mas na Warner desenvolveu e cristalizou, com fotógrafos e diretores de arte, o Weimar touch que impregna sua obra e o levou a ser lembrado na recente retrospectiva do Festival de Berlim. Como Jean Tulard diz no Dicionário de Cinema, a relação de obras-primas de Curtiz é impressionante e mesmo preferindo O Intrépido General Custer, de Raoul Walsh, sua parceria com Errol Flynn merece que se tire o chapéu. Se mais gente pensasse em Curtiz, ouso dizer que o cinema atual seria outro, e até melhor.

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