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De heróis e homens comuns

Luiz Carlos Merten

30 de dezembro de 2012 | 18h07

Terminava de redigir o post anterior enquanto assistia, na TV paga, ao final de ‘Incontrolável’. Gosto demais do filme de Tony Scott com Denzel Washington e Chris Pine. E não pude deixar de fantasiar. Harry Carey Jr. se vangloriava de ter vivido na companhia de heróis – os atores da John Ford Stock Company. Tony Scott também gostava de heróis, e os criava. Muitas vezes eram pessoas comuns, como os dois ferroviários de ‘Incontrolável’, o viúvo Denzel, que cumpre aviso prévio, porque foi demitido, e Chris, que está tendo problemas com a mulher e poderá ser afastadso do filho. Tony Scott matou-se e todo mundo ainda se interroga sobre as razões de seu gesto extremo. Os heróis que ele gostava de filmar não fariam isso – lutavam contra a morte. Tony fez grandes filmes – ‘Inimigo do Estado’, ‘Romance em Ponto de Bala’ (que Quentin Tarantino escreveu), ‘Chamas da Vingança’, ‘Incontrolável’. Sua obra propõe um estranho equilíbrio entre veleidades clássicas e experimentação de novos regimes de imagens, como escreveu ‘Cahiers du Cinéma’ no necrológio bastante elogioso que lhe dedicou. A revista acrescenta que foi um maneirista obsessivo, nos limites do barroco – um pequeno mestre. ‘Cahiers’ jamais escreveu isso, enquanto ele era vivo. Foi preciso que morresse, para ganhar o elogio. Tom Cruise preparava com Tony Scott uma sequência de ‘Ases Indomáveis’ que, agora, provavelmente, nunca se concretizará. Já disse, e repito, que umn de meus prazeres secretos no cinema, aqueles ‘inconfessáveis’, é justamente Tom Cruise no lombo da motocicleta, com ‘Take My Breath Away’ de fundo. Tony Scott sabia cortar meu fôlego, e cortou mais uma vez em ‘Incontrolável’.

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