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Todo Tarantino

Luiz Carlos Merten

17 de dezembro de 2012 | 17h57

Havia a expectativa de que Leonardo DiCaprio participasse, em Nova York, pelo menos de uma coletiva, na junket de ‘Django Unchained’, o novo Quentin Tarantino, que estreia no Brasil em 18 de janeiro, como ‘Django Livre’. O filme ganhou um monte de indicações para o Globo de Ouro, deve ganhar outras tantas para o Oscar. Fiz ótimas entrevistas – com Jamie Foxx e Kerri Washington, que me surpreenderam pelo discurso político, com Tarantino, Samuel L. Jackson e Christoph Waltz. Um filme que tem Django no título tem de ter um personagem com esse nome, e Tarantino, que sempre quis fazer seu spaghetti western – como fez com ‘Jackie Brown’ seu blaxploitation movie, com ‘Kill Bill’ seu filme de sabre e com ‘Bastardos Inglórios’ a sua aventura de guerra -, admitiu que seu ‘spaghetti’ começou a tomar forma quando ele começou a coletar informações para um projeto de livro sobre Sergio Corbucci e passou a ser assombrado por Franco Nero como Django. O outro Sergio do cinema italiano. A abertura mítica de Corbucci – o herói, Django, chega à cidadezinha enlameada puxando os caixões de defunto. Pois apesar de Jamie Foxx, o Django negro, o grande personagem do filme é o dentista alemão que percorre o Oeste caçando bandidos. Um bounty killer – Christoph Waltz, cujo cavalo, ‘Fritz’, também adquire status de personagem. Tarantino admite que, cada vez mais, faz filmes para se divertir, com gente que admira e entra no seu clima de amizade e descontração. Seu tema, na arte como na vida, ele diz, é a lealdade – não há nada mais importante, mais que a família. Cada um dos entrevistados deu seu testemunho sobre o método de Quentin. A surpresa foi que, após a entrevista, a Sony presenteou a gente com um pacote de Blu-ray. Todo Tarantino, em não sei quantos discos. Os filmes e muitas horas de entrevistas. Sorry, se deixo vocês com inveja, mas é sem rancor, espero. Qual cinéfilo não gostaria de possuir essa dávida? Ao mesmo tempo que publico isso, dou-me conta de que me exponho. Em tempos de mensalão, não estarei me colocando numa posição ‘vulnerável’?

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