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365 DNI, e lá vou eu! (1)

Luiz Carlos Merten

07 de julho de 2020 | 10h54

Ia escrever que devo ser dos raros, senão o único, a ter achado interessante o primeiro 50 Tons de Cinza. Não estou nem aí para a série de livros de E.L. James – dei uma parada para pesquisar o nome da escritora -, mas a verdade é que a diretora Sam Taylor-Johnson fez o que não deixa de ser a versão masculina de Marnie, a obra-prima doente de Alfred Hitchcock. Sam fez o filme dela, ‘autoral’, e foi defenestrada da série por diferenças ‘criativas’, entrando o James Foley, muito mais submisso aos ditames do mercado e do receituário dos livros. Essa Sam, diga-se de passagem, não é mole. Separou-se de um marido galerista, Jay Jopling, chiquérrimo, que andou participando de eventos do high society artístico de São Paulo e, pouco depois, casou-se com o ator Aaron Johnson, com idade para ser seu filho (e até acrescentando o sobrenome dele). Todo esse nariz de cera é para dizer que vi o filme que mais está dando o que falar no momento. Carlos, meu incansável físio, foi quem me exortou a entrar nessa, assistindo a 365 DNI, ou 365 Dias, o hit da Netflix. Sim! Me disse que não se falava em outra coisa nas redes e acrescentou detalhes que não vêm ao caso. Lá fui eu. Esqueça os grandes ‘autores’ de Hollywood que vieram para a plataforma de streaming em busca de liberdade de criação, tipo Martin Scorsese. (O conceito dele de criatividade é refazer pela enésima vez Os Bons Companheiros, é verdade que acrescentando detalhes, mas fazendo filmes cada vez mais longos, longos, de matar de tédio.) Está entrando em cena, rainha da Netflix, a diretora polonesa Barbara Bialowas. (Polonesa! Claro que não é a mesma coisa, mas depois de Bong Joon-no Oscar as cinematografias periféricas estão avançando na indústria.) Vi 365 Dias no domingo à tarde e, como curiosidade, fui procurar por reações, senão críticas, na internet. Encontrei um monte de disparates, mas o elo era sempre a ligação do telefilme com a série 50 Tons, por isso toda a história sobre Sam Taylor-Johnson para refrescar a memória. Mulheres reinventando fantasias eróticas. Encontrei, nas ‘críticas’, todas muito padronizadas (e corretas), um monte de referências à Síndrome de Estocolmo, a sequestrada que se apaixona pelo sequestrador, mas que eu tenha visto ninguém lembrou o Áta-me, de Pedro Almodóvar, que tanta discussão provocou há 30 anos. Antonio Banderas, Victoria Avril! Um Áta-me filtrado pelo Chefão, ou mais exatamente o contrário. A Máfia com sexo. O fo.ão, um Apolo italiano – e mafioso! -, sequestra a garota e promete não tocá-la, mas lhe dá um ano de prazo para que ela se apaixone. Se isso não ocorrer, a deixará livre. Um ano, 365 dias. (Como estou recém começando e o post vai ficar enorme, vou dividir em dois. Ou seja, continua no próximo.)