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Clássicos, sempre os clássicos

Luiz Carlos Merten

09 de maio de 2020 | 15h56

Nem me havia dado conta de que não posto há tantos dias. Não paro de produzir material para o jornal, o impresso e o online, e as pessoas também não param de ligar e enviar e-mails, propondo matérias. Acrescentei novos textos às minha lista de clássicos. Saíram com a maior facilidade – sobre Cinzas e Diamantes, Quanto Mais Quente Melhor, West Side Story/Amor, Sublime Amor e Aquele Que Sabe Viver. Dino Risi! Il Sorpasso! Vittorio Gassman dança de corpo colado com a mulher que acaba de conhecer. O bate-coxa produz um efeito imediato. Ela sente o volume cresceer, diz algo como ‘Ulalá!’, e o cafajeste – ‘Modestamente…’ Repito que tenho me divertido muito viajando nos clássicos. Mas confesso que emperrei num filme que amo, Os Fuzis, de Ruy Guerra. Havia feito o texto, enviado e, de madrugada, acordei num sobressalto. Freud explica – havia errado o nome do fotógrafo. Coloquei Affondo Beato, o diretor de fotografia de Glauber, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, em vez de Ricardo Aronovich. Enviei logol cedo a correção, mas fiquei com aquilo na cabeça. Pensando, matutando.Hoje, sábado, acordei e fiz outro texto. Espero ter desencantado. Não me ocorreu com nenhum outro. O clássico do dia, os clássicos, têm me trazido alegrias. Como o e-mail que a filha de Roberto Farias, Marise, enviou ao jornal. Espero que não sejas cabotinismo. ‘Gostaria de agradecer ao jornalista Luiz Carlos Merten (eu!) seu amor pelo filme Selva Trágica, reaslizado em 1964 por meu pai, Roberto Farias. Ao longo de vários anos, Merten tem ressaltado (e tenho mesmo) o valor desse filme como uma obra de arte e sua importância para a história do cinemsa brasileiro.’ A série deve continuar. Quero escrever sobre o São Bernardo de Leon Hirszman, os 80 anos de Cacá Diegues se aproximam (no dia 9) e eu já tenho pronto um texto sobre Bye Bye Brassil, mas gosto tanto (mais!) de Chuvas de Verão. Ainda pretendo escrever sobre Walter Hugo Khouri (Noite Vazia ou O Corpo Ardente?), Pier Paolo Pasolini (Mamma Roma ou Medeia?), os Irmãos Taviani (A Noite de São Lourenço ou Kaos?), Claude Chabrol (O Açougueiro ou A Besta Deve Morrer?), Otto Preminger (A Primeira Vitória ou Bunny Lake Desapareceu?), Raoul Wash (O Intrépido General Custer ou Fúria Sanguinária?) e também Sam Peckinpah (Meu Ódio Será Sua Herança), Roman Polanski (Chinatown), Luís Buñuel (O Discreto Charme da Burguesia), Luís Alcoriza (Mecânica Nacional), Costa-Gavras (Missing/O Desaparecido), Hector Olivera (La Patagonia Rebelde), Claude Sautet (Vicente, Francisco, Paulo e os Outros), Peter Bogdanovich (A Última Sessão de Cinema),até um Martin Scorsese (Depois de Horas)…. A série poderia ser interminável. Aurora, de Murnau; Liberty Valance, O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford; Metrópolis, de Fritz Lang; A Religiosa, de Jacques Rivette. Enquanto houver quarentena, prossigo.