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Barbara Stanwyck, a boazinha, a malvada e e tudo o que pode haver entre os extremos

Luiz Carlos Merten

11 de abril de 2019 | 08h47

Citei, em um post anterior, numa dessas revistas de língua inglesa que compro na banca do Conjunto Nacional, o resgate dos westerns de Barbara Stanwyck. Até onde me lembro, acho que a conheci vendo Big Valley, nos primórdios da televisão. Enlatados de meia hora, mas o diferencial é que já era em cores. Barbara fazia a matriarca Victoria, que comandava com mão de ferro os filhos e o rancho Barkley, onde se passavam os mais de 100 episódios da série. O rancho da ficção inspirava-se no Hill Ranch, que existiu de verdade e terminou sob as águas de uma represa, em Calavera County. Reencontro agora Barbara Stanwyck numa extensa análise de Molly Haskell na Sight and Sound de março, Dreams of Starting Over. (A chamada de capa da revista dá título ao post – BS, The good girl, the bad girl and everything in between.) Em tempos de #MeToo a articulista retrata a indomável Barbara como uma mulher adiante do seu tempo em Hollywood, criando com humor e uma vontade indômita mulheres que não se conformavam com a miséria de suas vidas – e de seus homens – e faziam o que fosse necessário para sair do buraco. Molly começa citando um diálogo, quase um monólogo de Barbara quando diz para Henry Fonda em The Lady Eve, de 1941. “Você não sabe nada de garotas. As boazinhas não são tão boas como você imagina que sejam, e as más não são nem de longe as malvadas que você teme que sejam.” Adorei. Numa Hollywood puritana, e mesmo tendo criado personagens como a mãe sofredora de Stella Dallas, Barbara foi sobretudo a vamp que encarnava todos os perigos que assolavam o norte-americano médio – a mulher perigosa capaz de sacudir a tranquilidade dos homens e arrastá-los para um mundo de sexo e pecado. Molly cita The Miracle Woman, de 1941, em que Barbara faz uma evangelizadora que manipula seus fieis para fazer dinheiro rapidamente, e isso tem tudo a ver com o universo econômico-religioso em que se vive hoje no Brasil (e no mundo). Ainda sobre Sight and Sound, a revista dedica várias páginas – seis – aos mortos de 2018, que são listados e brevemente comentados. Atores, diretores, roteiristas, animadores etc. Só quatro merecem análises mais extensas – Penny Marshall, Nelson Pereira dos Santos (que ganha meia página), Mrinal Sen e William Goldman. Para completar, a edição traz uma entrevista com Barry Jenkins, sobre Se a Rua Beale Falasse, e a crítica do novo Abdellatif Kechiche. Espero que Jean Thomas, da Imovisioin, que ganhou dinheiro com Azul É a Cor Mais Quente, nos faça o favor de trazer Mektoub My Love.

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