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E o Malick me esgotou…

Luiz Carlos Merten

22 de julho de 2017 | 10h09

Ainda não consegui emplacar a matéria sobre Monsieur e Madame Adelman no impresso. Tentei entrevistar Nicolas Bedos e Doria Tillier, mas é período de férias na Europa – verão! – e me desencontrei dela no único horário disponível. Estava, justamente, em Franco da Rocha, acompanhando a filmagem no piscinão de Pluft (post anterior). Gostei tanto de Monsieur e Madame Adelman! Em contrapartida, achei um porre o novo (velho?) Terrence Malick, que me pareceu um Michelangelo Antonioni sem substância. Solidão e incomunicabilidade na cena musical de Austin, Texas. As pessoas vendem a alma ao Diabo nelas mesmas por sucesso e riqueza, o próprio Malick faz um filme suntuoso e o conceito é o retorno à simplicidade. Tudo para que Ryan Gosling deite na grama no final de De Canção em Canção. Como é mesmo que a Anna Magnani dizia a Fellini em Roma? ‘Vai dormir, Federico…’ Malick está precisando de férias. Para um diretor que demorava anos entre um filme e outro, ele anda filmando demais. Deveria elaborar mais – o conteúdo. Chega de forma. Mas os ‘críticos’ estão amando. Vi ‘inebriante’ no título da concorrência e a cotação – cinco estrelas. Para um filme babaca daqueles? O curioso é que o mesmo crítico caiu matando no Transformers – estou deduzindo pela cotação – sem nem sequer se dar conta de que muitos temas do Michael Bay são rigorosamente os mesmos. Por isso é que o mundo está desse jeito. No outro dia, estava num táxi, no final da tarde. O motorista ouvia uma dessas salas de redação, mas não era de esporte. Política. Uma apresentadora – a voz era de jovem – era particularmente agressiva com Lula, PT etc. Esculhambava legal. Mas, ao longo de meia hora de impropérios – o tempo que durou minha viagem -, ela não disse nada relevante. Só repetiu chavões. Lembrei-me do pensador de direita, o tal Sr. Jardim dos Aflitos, perdão, das Aflições, que defende que o importante é definirmos a origem de nossas crenças e pensamentos. Essa gente não tem noção. São meros papagaios – dele, inclusive. E a ‘profundidade’ do Malick? Como é mesmo que François Truffaut chamava Antonioni? Dizia que era ‘indecente’, porque o verdadeiro artista deveria/deve filmar a beleza sem parecer que tem a pretensão. No conceito ‘truffautiano’, Malick é mais que indecente… Mas é o autor da moda. E com tanta gente bonita… Confesso que, apesar de Ryan Gosling, e Rooney Mara, e Michael Fassbender, e Natalie Portman, e Cate Blanchett, De Canção em Canção me cansou. Fiquei exausto. Mais do que em qualquer filme de oito horas de Lav Diaz.