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Da série – ‘O horror, o horror’

Luiz Carlos Merten

26 de junho de 2017 | 09h16

Há algo de podre no reino da Dinamarca – Hamlet, Shakespeare. E no Brasil, então? A barbárie está de volta, se é que alguma vez saiu de cena. Um motorista furou o bloqueio e acelerou contra skatistas, que celebravam ontem, domingo, o dia deles na Rua Augusta, fechada para motoristas. Na Europa e nos EUA, seria considerado atentado e o cara, que fugiu, estaria sendo alvo de uma caçada humana. Também ontem, ou terá sido sábado?, vi na capa do Agora que Fernando Henrique criticou o prefeito Dória e disse que ele devia começar a governar, e não apenas fazer marketing. Dória praticamente chamou FH de gagá – disse que ele devia ‘visitar’ São Paulo de vez em quando. Subentendo que queria dizer que FH deveria visitar a megalópole para ver como é boa a atual administração – só se for na quadra em que o prefeito vive no Jardim Paulista. Lá tem policiamento e a rua está limpa, a grama aparada. O resto não se vê por causa do muro. The Wall. Eu ‘visito’ São Paulo e, às vezes, sinto falta de ter um celular. Só ontem vi uns 30 lugares sem semáforo e com montes de lixo na calçada. Seriam imagens bem fortes, e nem estou falando dos infelizes sem-teto que dormem sob marquises e pedem dinheiro para comida, não drogas. A economia reage. Onde? No governo Dilma, ela, com fama de incompetente, podia pelo menos dizer que, sem base, estava paralisada no Congresso (e nas ruas). Mas estou falando do micro, não do macro. Não vamos longe – na esquina mais famosa de São Paulo. Ipiranga com São João. Alguma coisa acontece no meu coração – quando passo por aquela sujeira, que já dura dias. Marqueteiro como é, o prefeito devia colocar o uniforme de gari e convocar a imprensa para acompanhá-lo na limpeza do local. Considerando-se que é um dos cartões postais da cidade, uma certa decência a ornamentar a paisagem seria bem-vinda. O próprio Bar Brahma, com todos aqueles seguranças na calçada, bem poderia se preocupar com o que ocorre no outro lado da rua. O problema é que ninguém se preocupa. Essa é a barbárie. O motorista que atropela, o Dória que caga, perdão, no FH, outrora um cacique importante. Não consigo ver essas coisas como isoladas. O Brasil de Bolsonaro não ficou mais temente a Deus nem o do Dr. Moro mais temente às leis. Algo está se passando e a raiva – leiam o post anterior – começa a aflorar, não importa como.