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11 de setembro, a data que não acaba nunca

Luiz Carlos Merten

11 de setembro de 2017 | 09h21

11 de setembro! Completam-se hoje 16 anos do ataque às torres gêmeas e 44 anos do bombardeio do Palácio de La Moneda, no Chile, que culminou com a morte de Salvador Allende, a derrocada do governo da Unidade Popular e a instalação da brutal ditadura de Augusto Pinochet. O cinema tem nos ajudado a refletir sobre esses fenômenos. Sem fazer a menor referência ao ataque em Nova York, Steven Spielberg, com sua trilogia informal formada por O Terminal, A Guerra dos Mundos e Munique, deu o maior testemunho sobre o evento cujo impacto na consciência planetária do século 21 está longe de se haver esgotado. E o Chile… Não existe outro tema senão a ditadura militar nos filmes de Patricio Guzmán, seja a sua trilogia A Batalha do Chile – com os três episódios, La Insurreción de la Burguesia, El Golpe de Estado e o melhor de todos, El Poder Popular -, ou os demais filmes que, aparentemente, tratam de outras coisas, A Nostalgia da Luz e O Botão de Pérola. Mas não se pode esquecer, eu não posso, o Costa-Gavras de Missing, O Desaparecido, Um Grande Mistério. Na noite de Santiago, o mítico cavalo branco da liberdade corre perseguido pelos soldados que, contra ele, disparam seus revólveres e metralhadoras. O cinema é uma coisa maravilhosa. Eu não trouxe para ele o meu ideário, não tentei moldar o cinema à minha consciência, mas tenho a impressão de que foi justamente o contrário. Os filmes me ajudaram a entender o mundo, a me entender a mim mesmo. Confesso que me emocionei ao voltar a Santiago e, diante do palácio reconstituído, deparei-me com aquela estátua de Allende, o passo suspenso no ar e a sua crença na caminhada por um mundo melhor. Existem momentos em que eu acho que Nostradamus e os maias tinham razão. Nada a ver com os blockbuster hollywoodianos, mas o mundo acabou, sim. Estava indo para o café da manhã na padaria quando vi o Agora na banca. Uma pessoa deficiente é estuprada por dia em São Paulo. Foram quase 400 casos no último ano. Acabou, gente. A ética, a utopia. Sobraram os estupradores no poder. Os reais e os metafóricos – estupradores de sonhos. Completo amanhã 72 anos. 72! O cinema segue sendo meu consolo. Era o que dizia Van Gogh ao irmão, Theo. Seu sonho de artista era pintar quadros em que a beleza, resplandecendo na tela, fosse um bálsamo para as pessoas. Face ao horror, ainda bem que existem os filmes.

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