As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Il Mondo

Luiz Carlos Merten

29 de dezembro de 2013 | 11h51

Foi uma das piores noites da minha vida, a de sexta para sábado. Nem quero lembrar. Passou. E ontem eu fui rever Questão de Tempo. Havia adorado o filme de Richard Curtis, que vi nos EUA. Como assisti sem legendas, creditei a isso o fato de não haver entendido uma coisa. Quem sabe ainda perdido o diálogo…? Na revisão, continuei não entendendo. Alguém  pode me explicar por que o protagonista tem de desistir do pai para poder ter o terceiro filho? Continuei adorando o filme de Richard Curtis. Meu amigo Dib Carneiro, que ama Quatro Casamentos e Um Funeral e Um Lugar Chamado Notting Hill – Curtis escreveu os dois -, brincou ontem  comigo que se trata do maior cineasta do mundo. Confesso que me bateu a curiosidade de ver o que os outros estão achando de Questão de Tempo. Fui procurar na rede. Discussões intermináveis se é comédia romântica, críticas à falta de originalidade – como é? Para mim é drama, e dos bons. Original? Sim. Um filme sobre a paternidade que as pessoas ficam discutindo se é romântico, claro quem é original. Amo Rachel McAdams, achei o protagonista, com aquele nome impossível de guardar, ótimo, mas o filme é de Bill Nighby, o pai. A cena em que ele, como best man, declara seu amor pelo filho é linda. Gostaria de ter dito aquilo à Lúcia, e já que não disse, espero que ela saiba. Bem no finalzinho, há um detalhe que me passou despercebido da outra vez. Jay, o marido de Kit Kat, aparece lendo, uma imagem rápida. O livro é Trash, cuja adaptação Stephen Daldry filmou no Brasil, em parceria com as O2. Richard Curtis é o roteirista. Mais que uma piscadela, o detalhe não é irrelevante. O filme ‘é’ sobre paternidade, sobre o que ela significa. A sessão de ontem – 18h50 – estava lotada no Bourbon. Dava para sentir a felicidade do público na saída. E o cinema, apesar do que dizem os neuróticos por originalidade, também é isso. Estava me esquecendo – Gabriel Villela colocou Il Mondo na trilha de Os Gigantes da Montanha. Dei uma olhada, en passant, entre os destaques de teatro. Ninguém se lembrou da montagem do meu amigo. Richard Curtis também recorre a Il Mondo, na versão de Jimmy Fontana. O mundo todo cabe numa música, num filme, numa cena. O  casamento. A noiva de vermelho, a chuva, o vento. Subversivo, não. E original. Nem Robert Altman fez melhor em Cerimônia de Casamento. Vou ter ver o filme de Richard Curtis pela terceira vez, por essa cena especial.

Tendências: