Simplesmente Lygia

Leandro Karnal

21 de agosto de 2016 | 09h57

Há muitos anos, eu fazia uma palestra para professores da rede municipal de São Paulo. O espaço era o Anhembi. Ao final, falando de leitura, uma professora perguntava sobre o que indicar para alunos e, de repente, começa a descer o corredor lateral do auditório a etérea e linda Lygia Fagundes Telles. Eu respondi para minha colega que não precisaria indicar literatura impressa quando literatura viva se aproximava. Fui até Lygia e beijei-lhe as mãos ( a vontade era de ajoelhar). Ela era a próxima palestrante e eu fiquei para ouvi-la. Nunca mais a encontrei. Guardo com carinho esta memória. Naquela época, era mais importante viver o momento do que fotografar. Lygia foi indicada ao prêmio Nobel. A autora de “As Meninas” merece muito . Mas continuará sendo Lygia, ganhando ou não. Ela é maior do que um comitê da Suécia.

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