O jogo atrás dos jogos Parte 1

Leandro Karnal

11 de agosto de 2016 | 18h34

Na sua origem, os jogos olímpicos eram uma afirmação da identidade grega fragmentada em muitas cidades . A pólis isolada e autônoma, tornava-se uma nação durante o encontro em Olímpia. Era ocasião para interromper guerras e assinalar o próprio calendário helênico que tinha como referência a competição.

Havia já denúncia de atitudes pouco éticas. Atletas vitoriosos eram assediados por governos rivais e, subitamente, nos jogos seguintes, apareciam competindo por cidades onde jamais estiveram. O prestígio era mais importante do que a fidelidade ao local de nascimento.

Além da paz e do calendário, o mundo olímpico assinalava um ideal presente na vida grega: a educação do corpo ao lado da intelectual. Em outras palavras, filósofos treinavam , historiadores lutavam, artistas saltavam e poetas carregavam pesos de pedra.

O clássico de Werner Jaeger, Paideia, fala de um ideal de perfeição desde o mundo aristocrático grego que tornava o indivíduo superior aos homens comuns. O ideal de cultivo de corpo e espírito permaneceu em Roma com modificações. A ascensão do Cristianismo colaborou para tornar a exaltação do corpo atividade suspeita. A releitura platônica de Agostinho lançou uma sombra permanente nos séculos seguintes e a alma piedosa se esqueceu da matéria que a continha. Curioso que o próprio Platão era um atleta…

No clima da Belle Époque, a sombra da guerra pairava sobre as nações europeias. O barão Pierre de Coubertin ressuscitou a ideia clássica e, em 1896, a Grécia mostrou novamente ao mundo a experiência de Olimpíada. O parisiense Coubertin acompanhou 10 Olimpíadas oficiais, uma Olimpíada comemorativa especial (1906) e a suspensão dos jogos de 1916 em função da Grande Guerra. Seu corpo está na Suíça, mas seu coração repousa em Olímpia, na Grécia, fiel ao ideal que ele desejou restaurar.

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