Rosalía, a cantora espanhola que recolocou o flamenco no topo das paradas de sucesso
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Rosalía, a cantora espanhola que recolocou o flamenco no topo das paradas de sucesso

João Paulo Carvalho

12 de fevereiro de 2019 | 06h00

Poucas cantoras na atualidade chamam tanto a atenção quanto a espanhola Rosalía. Aos 25 anos, a catalã mescla seu pop dançante ao tradicional flamenco. A jovem, que seduziu o mundo ao se apresentar no Goya deste ano, divide opiniões dos críticos. Há quem a ache superestimada. Outros, no entanto, a consideram um talento raro. Malamente, seu maior hit, encanta pela letra forte e um ritmo que mescla flamenco, urbano e eletrônico. “Me apaixonei pelo flamenco quando tinha 13 anos. Meu cantor favorito é Camarón de la Isla”, afirmou a artista em entrevista ao jornal espanhol El Mundo.

A cantora Rosalía no Goya. Crédito: AFP

Nascida em Sán Esteban de Sasroviras, um vilarejo de Barcelona com pouco mais de 7 mil habitantes, Rosalía colocou Malamente no topo das paradas espanholas. El Mal Querer, seu segundo álbum de estúdio, aparece em todas as listas de melhores discos de 2018. A “filha de trabalhadores”, como se autointitula, foi duramente criticada por alguns por dar um ar mais popular ao flamenco, um estilo muito clássico e conservador. “Em Los Ángeles, meu primeiro trabalho, eu quis estabelecer meu legado e honrar o clássico do flamenco de uma forma mais tradicional. Em El Mal Querer, no entanto, eu quis uma coisa mais pop e experimental, algo novo”, disse ela ao mesmo periódico.

No final do ano passado, Rosália foi o destaque do European Music Awards (EMA) com uma apresentação impecável do medley Tu Daqui No Sales e, claro, Malamente. No Goya 2019, mais um baque. A artista interpretou Me Quedo Contigo e arrancou aplausos e lágrimas de uma plateia ensandecida.

Há tempos uma cantora espanhola não causava tanto impacto na cena musical do país. “Rosália consegue se conectar com o público de uma maneira privilegiada. Estamos diante de uma artista original, no sentido literal da palavra. Nunca na história da Espanha havíamos presenciado algo assim: cantoras capazes de transgredir sem alienar seus ouvintes”, escreveu o crítico musical Nacho Ruíz. “Seu último disco não me parece um produto cultural ruim e creio que ela é uma artista com bons fundamentos. Ela não deixa de me surpreender. No Goya deste ano, ela deu uma amostra de sua originalidade. No entanto, é mais uma vez a cultura do sul da Espanha ditando as regras do jogo. Somos mais do que o sul da Espanha”, comentou Silvino Díaz, baixista da banda Aerolíneas Federales.

Malamente foi escolhido como a melhor música latina de 2018 pela revista Billboard. Rosalía também vai se aventurar no cinema. Ela faz uma participação especial em Dolor y Gloria, novo filme de Pedro Almodóvar, no qual contracena com Penélope Cruz.

Discussões à parte, fato é que ninguém na música atual do país divide mais opiniões do que Rosália. Afinal, a cantora é realmente um ponto fora da curva ou apenas uma carência latente de artistas originais? Nos bares e discotecas de Madrid e Coruña, a pauta já virou tema recorrente.

Rosalía – Malamente

Rosalía – Me Quedo Contigo

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