Yannick Nézet-Séguin e o retorno (será?) da ópera em CD

Yannick Nézet-Séguin e o retorno (será?) da ópera em CD

João Luiz Sampaio

12 Julho 2012 | 19h39

A Deutsche Grammophon anunciou hoje a contratação do maestro canadense Yannick Nézet-Séguin, atual diretor da Filarmônica de Roterdã e da Orquestra de Filadélfia (leia aqui o press release, via Slipped Disc). Mais espantoso do que, em um mercado fraturado, selos e maestros continuarem a apostar em contratos como esses, são os planos para os próximos anos: gravações em disco das “sete óperas maduras” de Mozart. Eles vão começar com “Don Giovanni”, gravado ao vivo com a Mahler Chamber Orchestra e um elenco de estrelas (Ildebrando D’Arcangelo como o don, Joyce Di Donato como Elvira, Diana Damrau como Donna Anna e Rolando Villazón no papel Don Ottavio). Na sequência, serão lançados “Cosi Fan Tutte”, “Idomeneo”, “Die Entführung aus dem Serail”, “Le Nozze di Figaro”, “La Clemenza di Tito” e “Die Zauberflöte”. Ao que parece, serão todas gravações ao vivo. O material de imprensa vai longe – e compara o projeto às gravações de Karl Böhm nos anos 60 e 70. Entrevistei Nézet-Séguin em 2010, durante o Festival de Salzburgo. Quando lhe perguntei sobre a situação da ópera mundo afora, ele respondeu, talvez não por acaso: “Não sou tão pessimista como muitos de meus colegas. Especialmente no que diz respeito à ópera, ela nunca esteve tão bem, com público e mídia reagindo sempre. Claro, há a questão do dinheiro, da estrutura de trabalho. Não é um problema pequeno, mas é só a ponta do iceberg. Na ópera, há sempre novas montagens, novos cantores, e isso renova o interesse. Mas, e em uma orquestra? Uma sinfônica toca o mesmo repertório, para a mesma plateia, no mesmo palco, com a mesma cara. Com o tempo, tudo se congelou. Uma orquestra é tratada como uma estação de trem, um ponto de ônibus, é algo que simplesmente está lá. Não está mais viva. Esse é o problema principal e apenas agora estamos começando a lidar com ele. Estamos sempre falando em atrair novos públicos, mas a questão não é para quem e, sim, para que. É um desafio enorme e não tenho respostas prontas. Mas é bom que a gente comece a se perguntar ao menos.”

Leia a íntegra da entrevista com o maestro.