Vozes do passado

João Luiz Sampaio

08 de fevereiro de 2009 | 13h54

Passei as últimas duas semanas fazendo entrevistas com os grandes cantores de ópera brasileiros dos anos 50 e 60. Ida Miccolis, Aracy Bellas Campos, Assis Pacheco, Paulo Fortes, Maria Henriques, Gloria Queiroz, Diva Pieranti, Niza de Castro Tank, Neyde Thomas… Foi uma geração muito rica, composta por vozes de exceção, que não apenas garantiam a base da programação dos nossos teatros da época como ainda se apresentaram ao lado dos grandes nomes da ópera de então, como Beniamino Gigli, Giuseppe Di Stefano, Maria Callas, Renata Tebaldi, Jussi Bjöerling, que faziam temporadas no Brasil. Infelizmente, sobrou muito pouca documentação da atividade deles: os arquivos de rádio, com raras exceções, foram perdidos ou apagados; nos jornais, são poucos os registros, o que não condiz com a importância das temporadas de então. Sobraram apenas as histórias e as sensações de quem viveu aquilo de perto. De vez em quando, porém, algumas iniciativas isoladas abrem uma pequena janela em direção ao que foi aquele período. Foi o que fez a família do tenor Alfredo Colósimo, que reuniu em três CDs trechos apresentados no Municipal do Rio. Os discos, agora, estão disponíveis na internet, para download gratuito. Para acessá-los, basta clicar aqui. É interessante como, ao ouvir essas vozes – seja pelo estilo do canto, seja pelos chiados nas gravações –, nos transportamos imediatamente para outra época, outro mundo. Um mundo que poderia e deveria, por meio de iniciativas de resgate, estar mais próximo de nós.

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