Utopia imortal

Utopia imortal

João Luiz Sampaio

17 de março de 2011 | 09h04

Os braços cortam o ar, como se regessem uma orquestra, enquanto o maestro Rafael Frühbeck de Burgos cantarola, movimento a movimento, os principais temas e melodias da Nona Sinfonia de Beethoven. Ele então, reclinando-se na poltrona de seu camarim na Sala São Paulo, abre um sorriso: “Não lhe parece espantoso que a música mais conhecida e repleta de simbolismos de toda a história seja de um compositor erudito?” Nascido na Espanha, mas formado na Alemanha, Frühbeck de Burgos – aos 78 anos e tido por parte da crítica como a síntese da tradição germânica com o calor da interpretação latina – chegou na segunda-feira a São Paulo. A partir de hoje, rege a célebre obra de Beethoven à frente da Sinfônica do Estado, em concertos que marcam a abertura da temporada da orquestra, com ingressos esgotados. Antes, em cada apresentação, toca a Fanfarra escrita pelo brasileiro Edino Krieger sobre temas do Hino Nacional Brasileiro. “É preciso apenas pôr um pouco de ordem”, diz ele, enquanto arruma a seleção de camisas no armário do camarim depois do ensaio da tarde de terça-feira. Senta-se, então, e fala rapidamente da peça de Krieger, “muito interessante”, e da necessidade de corrigir algumas notas erradas na edição da partitura. “Isso acontece com novas obras, mas depois do computador ficou mais raro. Eu me lembro de tentar, com a Sinfônica Nacional da Espanha, interpretar um dos concertos para piano de Villa-Lobos. Linda peça, mas o material era tão ruim que não conseguimos tocar. E o mesmo me aconteceu várias vezes com obras espanholas também.” Continua aqui.

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