Um só instante

João Luiz Sampaio

13 de novembro de 2009 | 17h37

[kml_flashembed movie=”http://www.youtube.com/v/P6W6xistYxU” width=”425″ height=”344″ wmode=”transparent” /]

Por conta da “Tosca” que abre esta semana a série de transmissões nos cinemas de montagens do Metropolitan de Nova York, voltei à ópera e a algumas das suas principais gravações. Há grandes Toscas, no plural – mas Tosca, no singular, só tem uma: ainda está para aparecer uma gravação que supere a do quarteto Callas/Di Stefano/Gobbi/Serafin. O que faz dela tão especial? São três grandes cantores, um grande maestro.Mas isso por si só nem sempre explica a mágica. O que me pega é a personalidade destas vozes. Para quem não conhece a ópera, tem um trechino, no segundo ato, em que o barão Scarpia quer que Tosca revele onde está escondido um revolucionário escondido por seu amante, o pintor Cavaradossi. Ele diz: “Orsu, Tosca parlate!” (Vamos, tosca, fale!); e ela responde: “Non so nulla” (Não sei de nada). O diálogo não poderia ser mais prosaico, mas a autoridade com que ele ordena – e a com que ela responde – é de arrepiar (no vídeo acima, o momento se dá depois de pouco mais de um minuto). É como se toda a genialidade da carreira dos dois estivesse ali, concentrada na nossa frente –e toda a possibilidade dramática da ópera como gênero se mostrasse em um só instante.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: