Três despedidas

João Luiz Sampaio

31 de março de 2009 | 13h49

O telefone toca, uma, duas, três vezes antes da ligação aguardada. No texto de Jean Cocteau, a mulher abandonada anseia por uma última conversa com o homem que ama – e a trocou por outra. Sonha, ao telefone, com a volta. Agride, sente-se agredida; parte, volta; implora, afasta-se. Em A Voz Humana, o texto de Jean Cocteau e a música de Francis Poulenc se articulam entre a palavra e o silêncio. O tema é a ausência. Com quem essa mulher fala? Será que fala mesmo com alguém? E se cada linha cruzada, cada ligação perdida fossem apenas momentos de alternância da mente de uma mulher à beira do fim? Céline Imbert é uma grande atriz. Na concepção do diretor Caetano Vilela, abre o espetáculo como uma cantora de cabaré. Canta Piaf. É aclamada pelo público e, em seguida, se depara com a ausência dos holofotes. Busca ao telefone, naquele homem que anseia, aquilo que não sente mais dentro de si. São poucos mas diferentes momentos os que compõem a cena. E Céline cria para cada um deles uma marca inconfundível, acompanhada de perto pela regência de Abel Rocha. “A Voz Humana” é um tapa na cara de quem se dispõe a amar.
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