Teatro São Pedro: perguntas sem resposta

João Luiz Sampaio

10 de março de 2009 | 13h05

O que anda acontecendo com o Teatro São Pedro?
O fato é que não se sabe ao certo.

No ano passado, foi lançado o edital para a seleção de produções que ocupariam o teatro em 2009. O resultado está no site do teatro:
The Turn of the Screw, de Benjamin Britten
Pagliacci, de Leoncavallo
Cavalleria Rusticana, de Mascagni
O Barbeiro de Sevilha, de Rossini (possível montagem juntamente com o Palácio das Artes de Belo Horizonte)
Além disso, diz o comunicado, a Apaa poderia remontar Porgy and Bess, de Gershwin, e O Homem Que Confundiu sua Mulher com o Chapéu, de Nyman.

Pois bem, estamos em março e até agora nada de temporada para o São Pedro. Nos bastidores do mundo musical as informações são de que o governo não vai patrocinar nenhuma das montagens selecionadas no edital; sobram repercussões de comentários do início da gestão Serra, quando o secretário João Sayad questionou a decisão de seu antecessor, João Batista de Andrade, de fazer do São Pedro espaço dedicado exclusivamente à ópera. Talvez não por acaso, nos últimos dois anos as temporadas do teatro aconteceram aos trancos e barrancos, com títulos sendo anunciados e cancelados, falta de patrocínios.

O quadro vai mudar?

Em meio à bagunça, coloco algumas questões:
– Houve investimento concreto na temporada do São Pedro?
– Houve discussão real e pública sobre como o teatro poderia usar a ópera para encontrar seu espaço na vida cultural da cidade, de como a sua vocação poderia ser orientada nesse sentido?
– Ópera não dá resultados, ouvimos. E que forma de arte dá quando não há investimento responsável?
– Se a ópera vai deixar o São Pedro, quais as justificativas?

Mas, vamos deixar essas questões todas de lado por um instante, e nos focar na temporada 2009 e no futuro próximo. Há cerca de um mês, procurei a secretaria de Estado da Cultura por meio de sua assessoria de imprensa com algumas perguntas simples e objetivas.

– Quem será o responsável pelo São Pedro depois do falecimento de Vicente Amato Filho?
– Quem está montando a temporada?
– Os títulos selecionados no edital estão confirmados?
– Quem vai pagar por eles, o Estado ou os produtores?

Até agora não recebi resposta oficial da secretaria. O motivo da demora? Segundo a assessoria, as informações ainda estão sendo reunidas.

Não se trata de defender a reserva de mercado para a ópera, nada impede que ela possa conviver harmoniosamente com outras manifestações artísticas. O que se pede é uma política cultural, de investimento e ocupação que dê sentido ao teatro e que o tire de uma vez por todas da ventania inconstante das vontades políticas. E isso só acontece com discussões concretas sobre o assunto.

O que, até agora, não houve.

O São Pedro continua a ser o palco do descaso.

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