Teatro Municipal de São Paulo virou fundação. Agora vai?

Teatro Municipal de São Paulo virou fundação. Agora vai?

João Luiz Sampaio

06 de maio de 2011 | 10h58

Foi aprovado ontem na Câmara de Vereadores o projeto que transforma o Teatro Municipal em uma fundação. A notícia completa, assinada por Diego Zanchetta, você lê aqui. E, abaixo, reproduzo o pequeno comentário que escrevi para a edição de hoje do caderno Metrópole sobre a mudança.

FOTO DE ROBSON FERNANDJES/AE

A criação da Fundação Teatro Municipal é o primeiro de uma longa lista de passos a serem dados na sua reformulação. Recentes experiências, na esfera estadual, não deixam dúvida: a burocracia estatal e a dinâmica da produção artística não são boas companheiras e separá-las pode ser benéfico. Ainda assim, há especificidades a serem consideradas. A relação de uma instituição pública transformada em fundação e a esfera estatal se dá por meio de contrato firmado entre Estado e uma organização social, entidade civil sem fins lucrativos, responsável pela gestão. É ele que rege, por exemplo, a relação da Fundação Osesp e o governo do Estado, definindo verbas e deveres e direitos de ambos os lados. Como a Osesp é uma fundação privada de Direito Público, ela própria é a sua organização social, gere a si mesma. No Municipal, a fundação será pública, precisará firmar contrato com outra organização social. Esse seria o primeiro passo a ser dado agora. A dúvida é se esse formato dará de fato liberdade ao teatro ou vai perpetuar a influência de trocas políticas na programação, impedindo projetos a longo prazo – afinal, o secretário Municipal de Cultura, segundo o projeto, vai presidir o conselho de administração da fundação. Além disso, com conselhos, comissões, núcleos, etc, continua à espreita o fantasma do aparelhamento político do teatro e sua administração. Fato, porém, é que, ao menos conceitualmente, a fundação pode resolver essa questão, assim como o caos contratual dos artistas, além de dar maior liberdade na captação de patrocínios. Mas não o fará em passe de mágica. Haverá vontade política para garantir uma dotação orçamentária condizente com a necessidade do teatro nos próximos anos? E, como ela será usada. No final das contas, não custa voltar a princípios básicos: antes de se criar a estrutura ideal para realizar um projeto artístico, é preciso saber que projeto é esse. E isso, ao menos até agora, hesitante com a programação e com quatro diretores artísticos nos últimos anos, a atual gestão não mostrou.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.